a tese
No "Não é Bem Assim" (Meio), Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães analisam a crise do STF provocada pelo caso Vorcaro e convergem em que o problema de fundo não é a democracia em abstrato, e sim uma rede de tráfico de influência que enreda o próprio guardião da corte.
aprofundar
não
Análise política densa e bem articulada, do interesse do Bruno, mas conjuntural; não sustenta uma sessão de trabalho.
O que foi dito
- Dora sustenta que o STF ainda deve tentar “esticar a corda” e varrer o escândalo para baixo do tapete, protocolo dos magistrados nos últimos anos, mas que uma hora a corda arrebenta; ninguém arrisca prever quando explode.
- Pedro Paulo desloca o eixo do discurso da democracia para o tráfico de influência: o “defensor da democracia” Moraes está mais enredado que todos, e Vorcaro é traficante puro, não corrupção com fim político, que financiou sua pirâmide com dinheiro de investidores e do Estado.
- Ligam a crise à eleição em curso: a perplexidade do eleitor alimenta a ascensão de Augusto Cury como candidato “fora do sistema”, já que os dois da frente (Lula e Flávio) estão sob o campo magnético do caso; comparam ao fenômeno Collor em 1989 e ressalvam que o histórico brasileiro de outsiders não é bom (citam Dom Sebastião, Napoleão, Hitler).
- Marcelo insiste que a violência e o domínio de facções (mãe que não consegue reunir os filhos em favelas de facções rivais, PCC elegendo parlamentares) são o problema número um do país e não se resolvem pelos escândalos do Supremo; Pedro Paulo discorda, vendo tudo como sintomas da mesma disfunção.
- Criticam a facilidade constitucional de criar partidos (Avante de Cury, Missão de Renan Santos inventado há um ano) e o modelo em que deputado federal vale por dinheiro de fundo partidário, não por influência política.
- Contrastam o momento com a “concertação nacional” do governo Itamar Franco (que recuperaram como saldo positivo) e lamentam que hoje o ambiente seja de acirramento sem política capaz de desatar o nó górdio.