a tese
No terceiro episódio do TD Talk (conversa sobre textos difíceis), Guilherme Nunes e o apresentador do Bibotalk discutem Habacuque 2:4 ("o justo viverá pela sua fé") e seu uso em Romanos e Hebreus, defendendo que o texto admite mais de um referente e não precisa ser fechado numa única leitura.
aprofundar
talvez
O miolo exegético (Hab 2:4, Nova Perspectiva, uso do AT no NT, Hays) toca interesses reais do Bruno, mas a conversa é introdutória e diluída por muita propaganda; vale só se ele quiser um mapa rápido do debate.
O que foi dito
- Situam Habacuque como oração profética de um profeta do Templo que lamenta a iniquidade de Judá; Deus responde anunciando que levantará a Babilônia como instrumento de juízo, o que Guilherme trata como a primeira resposta bíblica ao problema do mal.
- Discutem se o “justo” de Hab 2:4 é o povo arrependido ou o Messias que viria livrar o povo, e apresentam “emuná” como fidelidade à Torá e à palavra de Yahweh, não apenas fé subjetiva.
- Trazem a Nova Perspectiva sobre Paulo: a “justiça de Deus” em Romanos 1:17 como fidelidade de Deus ao pacto abraâmico, algo comunitário, e o evangelho revelado na fidelidade do próprio Messias que cumpriu a lei; contrastam com a leitura individual de Lutero.
- Guilherme fica com N. T. Wright e Richard Hays (a legenda escreve “Enity Wright” e “Richard Reace/Reis”), lendo ambiguidade proposital entre o Messias e o povo do Messias; o apresentador diz ficar “com os dois”, Messias e os que estão nele.
- Sobre Hebreus 10:38, notam que ali o foco recai mais no indivíduo justo e mencionam a variante textual “meu justo” versus “o justo”; defendem que um mesmo texto do AT pode ter dois referentes por alusão, invocando o conceito de texto litúrgico de Larry Hurtado.
- Recomendam bibliografia: Robert Alter (“O Mundo da Literatura Bíblica”, Thomas Nelson 2026), o comentário de Gálatas de Richard Hays, e o Comentário do Uso do Antigo Testamento no Novo de Beale e Carson; longos trechos viram publicidade da editora Thomas Nelson e do app Pilgrim.
- Fecham num registro pastoral (CS Lewis, “estou sendo salvo, não importa por qual das teses”), assumindo que alguns textos bíblicos permanecem genuinamente abertos.