a tese
Joe Schmid explica a Cameron Bertuzzi como neutralizou suas duas objeções ao inferno (desproporção da pena e luto celestial) e por que passou a ver as objeções morais ao catolicismo como um só problema correlacionado, não como evidências independentes que se somam.
aprofundar
talvez
porque o argumento da correlação probabilística das objeções (tratar males como um só problema) é filosoficamente sério e mexe direto com molinismo e problema do mal, temas seus, mas aqui vem em registro apologético católico e sem a réplica ateísta.
O que foi dito
- Schmid abre com um ponto meta: suas objeções ao catolicismo (homossexualidade, transgenerismo, mentira, suicídio, inferno) não eram peças de evidência independentes que se multiplicam, mas expressões de uma única “divergência de intuições” morais; se ele erra numa, deve duvidar das outras, o que reduz muito a força evidencial do conjunto.
- Aplica o mesmo raciocínio ao problema do mal: Holocausto, sofrimento animal, ocultamento divino e males diversos seriam um só “problema do subótimo”, não somatório independente; já os argumentos a favor do teísmo (ajuste fino, harmonia psicofísica, conhecimento moral, Padre Pio) seriam linhas independentes que convergem.
- Sobre o inferno, isola duas objeções: proporcionalidade (pena eterna e infinita para crimes finitos parece injusta num Deus perfeitamente justo) e luto celestial (no céu eu saberia do destino dos condenados e a reação apropriada seria tristeza, o que arruinaria a bem-aventurança prometida).
- Diz que o artigo de Brian Cutter, “Hell and Proportionality”, foi decisivo: apresenta modelos compatíveis com o magistério em que o sofrimento total é finito (sofrimento decrescente no tempo, ou restando só a dor da perda da visão beatífica), citando também James Dominic Rooney e o modelo de Alexander Pruss (vida no inferno ainda “digna de ser vivida”).
- Sustenta que o pecado mortal (pleno conhecimento, deliberação, consentimento, matéria grave) tem gravidade infinita porque a gravidade da ofensa escala com a dignidade do ofendido; usa a ilustração ant/filhote/bebê/Deus para dizer que ofender a Deus, infinitamente digno, é infinitamente grave.
- Argumenta que só precisa mostrar que tais modelos são “possíveis” e não absurdamente improváveis para dissolver as objeções como pontos fixos; a filosofia moral é difícil (“cem eticistas, quatrocentas respostas”).
- Contrapõe: aceitar essas acomodações lhe pareceu menos implausível do que, como não-católico, explicar a “evidência vindicatória” católica (estigmas de Padre Pio com fotos e raios-X antes e depois, cura de pé torto, o “milagre de Calanda” da perna regenerada).
- Traça o paralelo com sua abertura à simplicidade divina: uma palestra de Joshua Sijuwade sobre um novo modelo (teoria dos tropos) o fez ver a doutrina como possível, funcionando como “prova de conceito”, tal como o paper de Cutter.