a tese
Rodrigo Bibo prega sobre a natureza da igreja a partir de Efésios 2.19-22: a igreja não é clube de afinidades nem prédio, mas família de Deus com uma história de 2 mil anos, templo onde as pessoas encontram Deus, sacerdócio, corpo e reino que reina aos moldes da cruz, e existe como ato de resistência ao mundo individualista.
aprofundar
talvez
Pregação sólida e cristocêntrica que evita o moralismo e ataca de frente a teologia do domínio e o consumismo eclesial, temas caros ao Bruno; a eclesiologia da "família" ressoa com a tradição dos irmãos, embora o sermão seja mais pastoral que exegético.
O que foi dito
- Abre com a tese de que identidade se define por histórias, não por catecismo de regras, e nota que o gênero literário predominante na Bíblia é a narrativa (até os Dez Mandamentos começam contando a libertação do Egito, não com proibições).
- Define a igreja pela negativa: não é afinidade que une os irmãos no mesmo banco, mas o sangue de Cristo e o Espírito; procurar igreja só por afinidade (como quem escolhe produto) leva a nunca fixar em nenhuma, porque a igreja é feita à medida do evangelho, não sob medida para o indivíduo.
- Lê Efésios 2.19-22 dizendo que os gentios deixaram de ser estrangeiros e passaram a concidadãos e membros da família de Deus, herdando a história que começa em Abraão (o convertido em 1999 pode dizer “fomos escravizados no Egito”, “perseguidos em Roma”, “decapitados em Burkina Faso”).
- Elogia sem ressalvas a NTLH como boa tradução para novos convertidos e recomenda nunca ficar preso a uma só versão (cita NVI, NVT, NAA, Almeida).
- Desenvolve as imagens neotestamentárias da igreja: família, templo/santuário (Deus não está mais preso ao templo, a glória se move como em Ezequiel), povo sacerdotal cujo fim é levar pessoas ao encontro com Deus e não a votar num candidato, e corpo de Cristo (a mão de Deus age no mundo pela igreja, podendo fazer tudo sozinho por anjos mas escolhendo agir pelo povo).
- Corrige a teologia do domínio: quando a Bíblia diz que somos reis e sacerdotes é aos moldes de Jesus, cujo reinado se caracteriza pela cruz, pela toalha e pela bacia, não pelo cetro e pelo trono; critica a leitura de “reinar em vida” (ter dinheiro, ocupar montes) como típica de quem não leu a Bíblia, e aponta o cordeiro degolado do Apocalipse como imagem do vencedor.
- Trata a batalha espiritual de Efésios 6 não como caça a demônios em desenhos e roupas, mas como viver de fato como família de Deus, confrontando o mal cultural e o que há de demoníaco em nós mesmos.
- Sobre escatologia (menciona escrever um livro, “Que roupa usar para o fim do mundo”), diz que Jesus fecha os discursos escatológicos com “vigiem e façam o bem” (Mateus 25), e critica a obsessão com sinais da segunda vinda em quem não é sinal da primeira.
- Relato autobiográfico: conversão na Assembleia de Deus em 1999, vindo de família de católicos não praticantes, acolhido e disciplinado por irmãos mais velhos que chegaram a pagar sua faculdade de teologia; usa isso para defender o pertencimento como o que segura filhos e adolescentes na fé (contrasta com o senso de pertencimento que o ISIS deu a jovens ocidentais cooptados).
- Fecha admitindo o “já e ainda não” da santidade (“não existem pessoas boas diante de uma Bíblia aberta”), citando C. S. Lewis (grafia incerta: “S. Luiz”) sobre o cristianismo não ser religião confortável, e chamando a igreja a proclamar em atitudes e palavras aquele que a tirou das trevas.