a tese
Edição longa do Central Meio sobre a crise do STF: Álvaro Jorge defende Fachin e propõe reformas no processo de indicação e no foro; Pedro Doria faz um manifesto sobre o papel do jornalismo e denuncia a escala inédita da corrupção (o caso Vorcaro comprando 1/3 da República); e o cientista político Bruno Bolonhesi lê o quadro eleitoral polarizado.
aprofundar
não
é mesa de conjuntura política e eleitoral de fôlego; rica para o acompanhamento do Bruno (manifesto de Doria sobre imprensa, dados de pesquisa, ciência política dos partidos), mas é análise de atualidade, não material teológico ou de estudo dedicado.
O que foi dito
- Álvaro Jorge (professor de direito, FGV-Rio) aplaude Fachin por “chamar o feito à ordem” dentro dos limites legais, aponta a origem política dos ministros como o problema estrutural e propõe reformas: justificação da indicação em cadeia nacional, prazo maior no Senado, vedação de ex-ministro voltar à política e retirada da competência criminal do STF, que deveria julgar só a Constituição.
- Discute a origem do foro (herança da ditadura, para blindar parlamentares de juiz individual) e defende deslocar a matéria criminal para outra instância, além de criticar o STF como “terceira casa do legislativo” e “terceiro turno” acionado por partidos derrotados no Congresso.
- Pedro Doria faz um monólogo assumindo-se liberal (ideologia minoritária, cerca de 7%, num país com maioria conservadora), mas defendendo que o jornalista não é político: a função da imprensa é trazer à luz o que o poder quer esconder, e é perigoso quando gente “preocupada com a democracia” cobra que a imprensa oculte informação ou modere a análise contra o bolsonarismo golpista.
- Doria denuncia a escala inédita: Daniel Vorcaro (Banco Master) teria subornado 1/3 da República de forma distribuída pelos três poderes e por todos os espectros (governadores, senadores, ministros de Estado de mais de um governo, ministros do STF), o maior crime financeiro da história da República; pede assinaturas ao Meio num ano difícil.
- Bruno Bolonhesi (cientista político, UFPR) alerta para não superestimar o efeito da crise institucional sobre o eleitor desengajado e cita a tese de que “tudo vira polarização” (do chinelo ao STF).
- Traz números da pesquisa Meio/Ideia: 42% acham que ambos os grupos (bolsonarismo e esquerda) são corruptos e 52% acham que ministros do STF decidem por interesse próprio; Doria e Bolonhesi debatem se a corrupção normalizou-se (“anestesia” do eleitor) ou virou “pista de quem importa politicamente” (tese de Mari Borges).
- Doria contrapõe a escala atual (Flávio Bolsonaro e Moraes acusados de dezenas a centenas de milhões) à corrupção histórica menor (sítio e tríplex de Lula, jardim da Dinda de Collor, escândalos do segundo Vargas), argumentando que “o Brasil nunca foi assim”.
- Bolonhesi analisa o quadro eleitoral: núcleo cristalizado de 35-38% para cada lado, Flávio Bolsonaro favorito mas com voto mais volátil e menos sólido que o de Lula (recusa de mudança perto de 90% em Lula, 70% em Flávio); voto no Lula mais antibolsonarista, core bolsonarista ideológico menor (22%) porém mais convicto que o core petista (38%).
- Discutem o bloqueio mútuo dos dois blocos que impede o surgimento de uma centro-direita viável, o fim do centro partidário, a natureza fisiológica do PSD (candidatura Caiado como cacife de segundo turno) e o cenário incerto de 2030 sem Lula, com uma República a reerguer diante da deterioração institucional.