a tese
No programa "Não é Bem Assim", Dora Kramer e convidados analisam como a crise do STF sequestrou a pauta a três semanas da eleição: uma guerra política interna entre ministros, com uso de "chicana" processual, que desmoraliza a corte e cuja sessão de 15 de setembro sobre Moraes dificilmente resolverá algo.
aprofundar
não
é mesa de análise política de conjuntura; útil para o acompanhamento do Bruno, mas sem densidade que justifique sessão dedicada.
O que foi dito
- Dora Kramer situa o país discutindo uma briga velada entre ministros do STF, PGR e PF em vez de segurança, economia e corrupção, temas que de fato importam ao eleitor.
- Pedro Paulo Magalhães usa a imagem de “placas tectônicas” em movimento: até a sessão de terça (15) tudo pode acontecer, e descreve a “chicanagem” jurídica, ministros ressuscitando processos arquivados para agir (Gilmar no sigilo de Toffoli, Dino para reverter o afastamento de Andrei Rodrigues na PF).
- Comentam o cancelamento do pronunciamento de Alexandre de Moraes e especulam que Fachin o teria contido; Marcelo Madureira lembra a tradição brasileira de nunca admitir culpa, exceto sob delação na Lava-Jato, e o padrão de blindagem quando a investigação chega ao topo (mulheres de Gilmar e Toffoli, Flávio Bolsonaro).
- Márcio Fortes aponta o defeito constitucional de foro: o STF julgar causas criminais de parlamentares e autoridades desvia a corte de julgar constitucionalidade; sugere corrigir sem mudar a Constituição, restringindo decisões monocráticas e barrando pedidos “estapafúrdios” (como o do Partido Novo pedindo prisão do diretor da PF).
- Diagnosticam que a desmoralização atinge o STF como instituição, não a Justiça comum, em que a confiança nos juízes de carreira seria alta; a origem política dos ministros mais ativos (Moraes, Dino, Gilmar, Mendonça, Toffoli) é apontada como o problema central, contra a indicação de “notável saber jurídico e reputação ilibada”.
- Registram o contraste entre a liberdade política dos ministros (Mendonça aclamado no 7 de setembro do comício de Flávio Bolsonaro; Moraes agradecendo apoio nas redes) e as restrições impostas ao juiz de primeira instância.
- Preveem que a sessão de 15 não encerrará nada (pedidos de vista, adiamentos), que nenhum ministro cairá ou será condenado, no máximo se abrirá inquérito sobre Moraes, e que Fachin ganhou a liderança avocando relatorias.
- Projetam a eleição: Lula versus Flávio Bolsonaro no segundo turno como cenário provável, com Lula prejudicado pela associação popular entre STF e governo; a crise interrompeu a campanha por cinco dias.
- Fecham céticos quanto a uma solução real, temendo “acomodação” e “coxambro”, e alertando que o segundo turno reacenderá tudo com os mesmos atores.