a tese
Pedro Doria argumenta que a crise do Banco Master no STF não se organiza como bolsonarismo contra lulismo, mas como o time que quer investigar contra o time que não quer, porque Daniel Vorcaro comprou gente dos dois lados para estar protegido qualquer que fosse o vencedor da eleição.
aprofundar
não
Análise política de boa qualidade, mas é conjuntura eleitoral brasileira, fora do eixo de trabalho.
O que foi dito
- A evidência que quebra o esquema de dois times é a derrota de Jorge Messias, indicado por Lula ao STF, por uma aliança que reuniu Alexandre de Moraes, Davi Alcolumbre, Flávio Bolsonaro e, segundo alguns, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner: Messias era visto como aliado de Mendonça no caso Master.
- Doria lembra que indicar o próprio advogado-geral da União é rotina institucional, feita por Lula com Toffoli, por Bolsonaro com Mendonça e por Fernando Henrique com Gilmar Mendes, o que tira do episódio a leitura puramente partidária.
- Com base em reportagem de Ana Paula Costa, da Piauí, ele sustenta que o caso de Dias Toffoli é mais grave que o de Moraes: entrou dinheiro ligado ao Master em seus negócios, há indícios de fundo no exterior, e ele tomou decisões que beneficiaram diretamente o banqueiro enquanto era relator.
- A distinção que ele faz é de qualidade da prova: contra Moraes há dinheiro recebido pela família e indícios de compartilhamento de dados sigilosos, o que exige investigação; contra Toffoli há decisão judicial favorável ao banqueiro já documentada, e o STF sabe disso desde março.
- A pergunta que ele dirige a Mendonça é de timing: por que tornar público o relatório da PF contra Moraes na véspera do 7 de setembro, no auge da campanha, sabendo que Moraes é o inimigo número um do bolsonarismo por ter relatado o processo do golpe.
- A explicação do mecanismo financeiro é a parte mais didática: o dinheiro que entrava no Master vinha de fundos de pensão de governos estaduais, ou seja, aposentadoria de professor, policial, enfermeira e gari, e quem decide onde esse fundo aplica é um diretor nomeado pelo governador, daí o pagamento a governadores.
- A autorização para Vorcaro ter banco foi negada por Ilan Goldfajn no governo Temer e concedida na gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, por razão que Doria diz desconhecer; o Master foi fechado sob Gabriel Galípolo.
- Ele rejeita explicitamente a conclusão de que “são todos iguais”, frase que segundo ele desliga o cidadão, e propõe outra: não existe time limpo porque havia um comprador único usando dinheiro de aposentado em todos os times.
- O fecho define o que se julga na sessão seguinte: não quem é mocinho, mas se a República ainda tem mecanismo capaz de investigar a si mesma, já que o STF nunca autorizou investigação contra um ministro seu.