a tese
Mesa de comentaristas do Meio sustenta que o STF chegou à véspera do julgamento de Moraes dividido em dois blocos políticos com três ou quatro ministros cada, resultado previsível de quinze anos de politização da Corte, e que o maior beneficiado da crise até aqui é Dias Toffoli, que saiu da linha de tiro.
aprofundar
não
Conversa de bastidor eleitoral, informativa para acompanhar a crise, sem densidade que justifique tempo extra.
O que foi dito
- O primeiro comentarista rejeita a busca por mocinho e observa que quem escolheu lado no início da crise, defendendo Moraes ou depois Mendonça, hoje tem motivo para rever a escolha.
- Ele avalia que o desgaste recai mais sobre Lula porque o bolsonarismo já vinha atacando a Corte há anos (a referência é a frase sobre “um cabo e dois soldados”), e a população não separa juiz que acerta de juiz que erra quando desacredita o Judiciário inteiro.
- Ainda assim ele registra que a situação de Flávio Bolsonaro é ruim: as investigações o mostram pedindo dinheiro para financiar um filme, com versões que não se sustentam e valores recebidos maiores que os admitidos, e ele subiu em carro de som na Paulista no 7 de setembro para atacar quem tem relação com Vorcaro.
- Sobre a sessão do dia seguinte, a previsão é de pedido de vista, com Gilmar Mendes sinalizando que faria isso; o grupo de Moraes queria julgamento simultâneo do caso dele e do de Mendonça, para transformar a sessão em cabo de guerra televisionado.
- Moraes não deve participar do próprio julgamento e será defendido por procuradores informais entre os colegas, cuja estratégia mapeada inclui pedir que Nunes Marques, Mendonça e Fux se abstenham, já que o filho de Nunes Marques recebeu dinheiro do escritório de Vorcaro e Mendonça teve encontros com o banqueiro.
- Levando esses impedimentos ao limite, sobrariam Cármen Lúcia e Edson Fachin votando, e a mesa admite não saber como ela votaria.
- O ponto analítico mais forte vem de entrevista do professor Rubens Glezer ao Meio: o cálculo dos ministros é de longo prazo, não de ciclo eleitoral, porque Moraes e Mendonça estão na casa dos 50 anos e têm duas décadas de Corte pela frente, com poder sobre os próximos ciclos de indicação.
- Toffoli aparece como o sobrevivente: teve o relatório enterrado num encontro a portas fechadas, declarou-se suspeito e saiu do foco, mesmo com indícios mais robustos que os de Moraes, e nem a crítica indireta de Lula no lançamento da campanha no Vila Euclides o derrubou.
- A leitura final é de guerra que não termina na eleição, com material ainda não explorado pela imprensa e acomodação de acordos dependente de quem vencer, e Toffoli visto como sacrifício mais fácil por ter menos trânsito que Moraes.