a tese
Transmissão de mais de oito horas do Meio com a íntegra da sessão extraordinária do STF sobre a PET 16.662, que decidiria se Alexandre de Moraes pode ser investigado por mensagens com Daniel Vorcaro, e um intervalo de análise em que a bancada sustenta que Gilmar Mendes e Flávio Dino jogavam para adiar e que a "república está derretendo", até o pedido de vista de Dino suspender tudo.
aprofundar
não
É registro bruto da sessão mais importante do STF no ano, útil como fonte primária se o caso virar tema, mas o conteúdo analítico está condensado nas outras três peças do Meio sobre a mesma sessão, e oito horas não se justificam para o Bruno.
O que foi dito
- Edson Fachin abre evocando os ministros afastados pelo regime militar e lê o relatório: em 24/08 Mendonça pediu à PF que identificasse a rede de influência de Vorcaro, a PF entregou 218 páginas (cerca de 190 sobre Moraes, com 52 notas), a PGR pediu nulidade por dupla usurpação (juiz investigando e colega de corte escrutinado sem o plenário), e Moraes, em manifestação, chama o relatório de responsabilização por bloco de notas de terceiro, diz que 47 das 52 notas não aparecem em conversa nenhuma e atribui tudo a vingança do grupo condenado pela trama golpista.
- Nunes Marques se declara impedido como presidente do TSE e nega que o filho tenha recebido do Master, e Toffoli se declara suspeito por foro íntimo, o que leva Dino a lembrar que o relatório sobre ele “nunca foi apreciado no colegiado”.
- Gilmar Mendes apresenta a questão de ordem redigida por Dino: Fachin teria ressuscitado a avocatória ao assumir a relatoria, seria parte no processo conexo, e os dois pedidos de investigação (contra Moraes e contra Mendonça) deveriam ser reunidos, redistribuídos por sorteio e precedidos de certificação de todos os magistrados citados no caso Master; Dino afirma viver “o momento mais corrupto da história do Judiciário”, e Fachin nega ter avocado qualquer coisa.
- No bloco mais tenso, Fux ataca a PF “paralela” e o “documento apócrifo”, Moraes pergunta “quem tem medo da Polícia Federal?” e acusa Mendonça de pedir que o incluíssem em delação, Mendonça responde “mentira”, e Gilmar denuncia o “inequívoco viés político-eleitoral” da escolha do 7 de setembro, fala em “relação de máfia” e “omertà” e cita o relatório de inteligência sobre a postura defensiva de Mendonça em relação a Nunes Marques.
- No intervalo, Pedro Doria lê a manobra como sinal de que o grupo de Moraes sabe que perdeu e diz que Flávio Bolsonaro é “miliciano, corrupto”, Flávia Tavares diz que Moraes recolocou a eleição no centro, Magno Karl insiste que a questão é saber se há ministros acima da lei, e Creomar de Souza fala em insurgência do grupo de Mendonça contra o de Gilmar e em STF que em 2027 “vai amarelar”.
- Doria refaz a história das repúblicas brasileiras e dos golpes (1889, 1930, 1945, 1964) para dizer que a crise de maturidade de um regime com 20 anos é o tipo que leva a golpe, defende que o STF autorize a investigação e que o próximo governo negocie uma reforma constitucional dos limites entre Poderes, e a bancada discute a “destruição mútua assegurada” entre Moraes e Flávio Bolsonaro, que teriam pedido a Vorcaro somas equivalentes.
- Na retomada, Fachin vota contra a questão de ordem, defendendo que o plenário é o juiz natural e o presidente o relator natural; Dino a acompanha denunciando possíveis novas sanções dos Estados Unidos, os “processos zumbis” da Lava-Jato e a ausência de rito uniforme; Zanin a acompanha dizendo que a PGR só pediu extinção e que o tribunal não pode se substituir ao titular da ação penal; Moraes diz que também vota e insiste na conexão; Mendonça vota com Fachin e explica que pediu as informações por causa de uma mensagem que citava “Andrei e Paulo”.
- Paulo Gonet nega proximidade com Vorcaro, Gilmar chama Mendonça de “sujeito” de “desfaçatez” e Dino pede vista por até 90 dias alegando clima degradante a 15 dias da eleição; Fux e Cármen Lúcia antecipam votos com Fachin, ela pede desculpas ao povo brasileiro citando Clarice Lispector e o voto de Celso de Mello nos embargos do mensalão, e o resultado provisório fica em 4 a 3 contra a questão de ordem, com o julgamento suspenso.