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The Reliability of the Fourth Gospel (This Is Huge)

a tese

Gavin Ortlund contesta o retrato corrente do Quarto Evangelho como texto tardio, isolado e teológico demais para ser histórico, sustentando três coisas: João pode ser bem antigo, pode ter conhecido os sinóticos, e sua sofisticação teológica não compete com o interesse por exatidão histórica.

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É o melhor mapa curto do estado da discussão sobre data, autoria e historicidade de João, com bibliografia exata (Charlesworth, Wallace, van Kooten, Bernier, Goodacre, Bauckham, Blomberg, Keener, Köstenberger) que serve direto ao trabalho do Bruno em João, e o argumento de João 5.2 merece ser conferido no grego.

O que foi dito

  • Abre com um clipe de Bart Ehrman explicando por que a data e o testemunho ocular de João importam tanto na apologética, e isola a premissa que quer examinar: quanto mais teológico, menos histórico.
  • Na questão da data, cita James Charlesworth, de Princeton, em Jesus as Mirrored in John (2019), para quem “todas as razões que exigiam data posterior a 90 d.C. desapareceram” e não há mais consenso, e observa que Charlesworth defende uma primeira edição anterior a 70 d.C. pelo conhecimento íntimo da arquitetura de Jerusalém, antes tida por invenção literária.
  • Detalha o caso de João 5.2: Daniel Wallace, em artigo de 1990, argumenta que o presente “há em Jerusalém, junto à porta das ovelhas, um tanque” se lê mais naturalmente como tanque ainda existente, e examina as saídas usuais (erro do autor, sobrevivência do complexo, fonte anterior, presente histórico), notando não ter achado no Novo Testamento um único caso do verbo ser como presente histórico assim.
  • Acrescenta que, 35 anos depois, George van Kooten, Lady Margaret Professor em Cambridge, retoma o argumento e fecha a melhor saída, mostrando por evidência arqueológica que o complexo de cinco pórticos foi destruído ou desmontado no combate entre 66 e 70 d.C., e propõe data em torno de 65 d.C., com N. T. Wright e Richard Bauckham abertos a datação antiga, e indica Jonathan Bernier, Rethinking the Dates of the New Testament, que data Atos por volta de 62.
  • Ataca o contra-argumento da cristologia alta como fruto de desenvolvimento lento, lembrando que ela já está em Paulo nos anos 50, no hino de Filipenses 2 (Cristo na forma de Deus antes do nascimento, recebendo o próprio nome de Deus) e em 1 Coríntios 8.6, conforme Larry Hurtado, e cita Bernier: se Paulo já identificava Jesus como agente da criação e da redenção, não há por que João não pudesse fazê-lo na mesma época.
  • Trata a autoria como questão separada da data: mesmo que o autor não seja o apóstolo João, o evangelho pode ser antigo e baseado em testemunho ocular, com Mark Goodacre revivendo a identificação do discípulo amado com o filho de Zebedeu e Richard Bauckham atribuindo o livro a João, o Ancião, ainda assim testemunha ocular.
  • Recupera o argumento cumulativo de B. F. Westcott (autor judeu, judeu palestino com conhecimento da geografia anterior a 70, testemunha ocular, apóstolo, e portanto João de Zebedeu, já que o discípulo amado aparece sempre junto de Pedro e Tiago foi martirizado cedo, segundo Atos 12), soma o silêncio do evangelho sobre o apóstolo João e o fato de João Batista ser chamado apenas de “João”, e cita Craig Blomberg, que percorre nove argumentos contrários e conclui que a posição tradicional foi mais pressuposta como errada do que demonstrada errada, com Craig Keener e Andreas Köstenberger ainda a defendendo.
  • Sobre a relação com os sinóticos, apresenta The Fourth Synoptic Gospel, de Mark Goodacre, que vê João convertendo material sinótico em diálogo e aponta coincidências verbais improváveis (os 200 denários na multiplicação dos pães, o “nardo puro” da unção em Betânia, cuja ocorrência mais antiga em grego está justamente em Marcos e João, os 300 denários do perfume), e Bauckham, para quem os quatro evangelhos circularam amplamente, com João pressupondo o que o leitor já sabe, como no aparte de João 3.24 sobre a prisão de João Batista, prisão que o Quarto Evangelho nunca narra.
  • Quanto ao interesse histórico, concede que João arranja o material com propósito teológico declarado em João 20.30-31, como fazem os sinóticos, e lista os indícios em contrário: a saturação do vocabulário de testemunho, voltado sobre o próprio livro em João 19.35 e 21.24, as notas que distinguem o que os discípulos sabiam antes e depois da ressurreição, os episódios constrangedores (a incredulidade dos irmãos de Jesus em João 7, a negação de Pedro), a citação de C. S. Lewis dizendo que, tirando trechos dos diálogos platônicos, não conhece na literatura antiga conversas como as do Quarto Evangelho, e a avaliação de Blomberg de que, na paixão, João é por vezes mais consistentemente histórico que os sinóticos (romanos na prisão no jardim, audiência diante de Anás, detalhes do julgamento com Pilatos), com a advertência de D. A. Carson de que quem tanto se preocupa com fidelidade no testemunho não inventaria narrativas e diálogos.
  • Fecha admitindo que não está defendendo inerrância e pedindo que o documento receba a cortesia de não ser presumido falso, e ilustra a construção cuidadosa do texto com os padrões numéricos levantados por Bauckham: as 496 sílabas do prólogo e as 496 palavras do epílogo, número triangular e perfeito que é também o valor numérico de μονογενής, e os 153 peixes de João 21, triangular (soma de 1 a 17) e ligado por Bauckham a Ezequiel 47.10, ponto sobre o qual ele mesmo diz não ter convicção.

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