a tese
Trecho de mesa de análise do Meio sobre a pesquisa Quaest mais recente: Lula cresceu, mas nos segmentos errados (mulheres de renda alta e Sudeste), enquanto Flávio Bolsonaro avançou entre evangélicos e no Nordeste, e a conclusão dos analistas é que as duas campanhas estão mal calibradas tecnicamente.
aprofundar
talvez
e só pelo recorte religioso: o salto de Flávio entre evangélicos (51% para 58%) somado ao movimento incipiente de católicos progressistas fazendo trabalho de base é exatamente o tipo de dado que interessa ao Bruno sobre religião e voto no Brasil; o resto é análise de pesquisa com validade de uma semana.
O que foi dito
- Os movimentos fora da margem de erro (dois pontos) são: Lula subindo de 41% para 44% entre mulheres, de 31% para 36% no Sudeste e de 47% para 53% entre quem ganha mais de cinco salários mínimos; na classe C ele apenas oscilou dentro da margem.
- A leitura do crescimento na faixa alta é de conteúdo do discurso: falar de terras raras e soberania exige conforto econômico para importar, e quem depende de escola e saúde públicas, sente o dreno das bets no orçamento e teme a violência não se comove com pauta abstrata.
- Flávio subiu três pontos no Nordeste e chegou a 58% entre evangélicos, contra 51% na rodada anterior; um dos analistas lembra que Jair Bolsonaro chegou a algo como 70% a 30% nesse segmento em 2022, de modo que o filho ainda não replica o patamar do pai e o empate atual vem de outros fatores.
- A perda de Lula no Nordeste é tratada como estrutural e esperada: o voto dele ali é conservador e de identificação pessoal, concentrado em eleitores de 50 anos para cima, e envelhece e morre enquanto entram jovens; daí as inserções de rádio e TV martelando aposentadoria e reajuste do salário mínimo, e daí o problema do PT ser levar os mais velhos à urna, com a abstenção podendo decidir uma eleição de um ponto a um ponto e meio.
- Diagnóstico duro sobre a operação de campanha: apurações de bastidor indicam equipes inteiras de redes sociais sendo devolvidas às bases por falta de autonomia e incapacidade de convencer os gestores de coisas básicas; falta na campanha de Lula, e também na de Flávio, gente do calibre de João Santana ou Duda Mendonça para calibrar discurso por segmento.
- Sobre a hipótese de que outro nome da direita venceria com folga, um dos analistas argumenta que o voto fiel ao sobrenome Bolsonaro nunca iria para Lula mesmo se pulverizado no primeiro turno entre Caiado, Zema, Renan Santos e outros, de modo que a oposição teria os benefícios do nome sem os passivos de Flávio (rachadinha, o filho, o filme do pai, o contato com Vorcaro e as mentiras sequenciais sobre ele); a conclusão é que a oposição recebeu uma oportunidade rara de derrotar um incumbente e a estará jogando fora por escolha própria.
- A aposta eleitoral nas bets é vista como possível acerto justamente porque atinge o público urbano, periférico e majoritariamente feminino que rejeita as bets acima da média nacional.
- Achado novo e ainda não apurado a fundo: católicos progressistas começaram trabalho de base pró-Lula, segmento minoritário mas potencialmente relevante no Sudeste, onde o catolicismo ainda é forte, e ligado à origem católica do próprio PT.
- A conclusão geral da mesa é simétrica: Flávio é mau candidato, e ainda assim Lula está tomando sufoco, porque a comunicação dele chega às mulheres erradas, as de elite em vez das evangélicas de classe C do Sudeste.