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Flávio no avião de Vorcaro, diretor da Genial alvo da Carbono Oculto e Dark Horse | Central Meio

a tese

Yasmin Restum, Flávia Tavares e o cientista político Paulo Henrique Cassimiro examinam a nova fase da Carbono Oculto e a carona de Flávio Bolsonaro no jato de Daniel Vorcaro, e chegam a uma conclusão incômoda: com a corrupção percebida como generalizada no sistema inteiro, ela deixa de ser critério de escolha, e a eleição será decidida por um punhado de eleitores não cristalizados.

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O grosso é conjuntura eleitoral perecível, mas a tese de Cassimiro (corrupção percebida como sistêmica deixa de orientar o voto) e o argumento de que 2013 foi reação conservadora a uma agenda progressista que avançava pelo STF, ancorado no livro de Ângela Alonso, são os dois pontos que sobrevivem ao dia 4 de outubro.

O que foi dito

  • Flávia Tavares corrige de saída a manchete: não está provado que o dinheiro do filme Dark Horse venha do crime organizado, o que a investigação apura é que o grupo Entre, de Antônio Freixo (o Mineiro), misturava no mesmo caixa recursos do Master e do crime organizado antes de repassar ao fundo Ravengate, ligado a um advogado da família Bolsonaro.
  • Explica o mecanismo maior: agentes do mercado financeiro lavam dinheiro do crime organizado no setor de combustíveis (usinas, postos, transporte), não só para limpar o recurso, mas para dominar um pedaço do mercado formal e continuar lucrando ali, o que ela chama de institucionalização do crime organizado.
  • Registra o cuidado metodológico: a operação foi conjunta entre Ministério Público de São Paulo, Receita Federal e Secretaria da Fazenda estadual, logo não cabe reduzi-la a um golpe contra a família Bolsonaro, ainda que o momento, a dez dias da eleição, sempre suscite a suspeita.
  • Detalha o caso do jato: Willer Tomás, advogado próximo de Flávio Bolsonaro e investigado no escândalo do INSS, é sócio de Vorcaro no mesmo Legacy em que foram flagrados Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes, e a revista Piauí, pelo repórter Breno Pires, documentou um voo de janeiro de 2025 da Flórida a Brasília com Flávio, Willer e as famílias, no mesmo avião sobre o qual o senador havia apresentado notícia-crime contra Moraes.
  • Cassimiro tira a lição estrutural: nos últimos anos ficou claro que o mercado financeiro é hoje o principal operador de lavagem no Brasil, efeito da financeirização da economia, e o caso Master é o Epstein brasileiro, no sentido de estar quase todo mundo envolvido.
  • Sustenta a tese central do programa: a corrupção aparece sempre no topo das preocupações em pesquisa, mas pesquisa capta reação imediata, não formação de preferência, e o que é percebido como problema de todo o sistema político deixa de ser diferencial na hora de escolher. Acrescenta que o STF se politizou e se colocou no centro, a ponto de os alunos dele hoje saberem o nome dos onze ministros, quando ele mesmo só sabia o de Ellen Gracie.
  • Desenvolve a aritmética eleitoral: em 2022 Bolsonaro cresceu só cerca de 400 mil votos sobre 2018, e Lula fez 13 milhões a mais que Haddad, ou seja, quem decide é quem sai de casa, não quem muda de lado. Daí a importância do percentual não cristalizado, estimado entre 3% (Ideia) e 11%, e a crítica à facilitação da justificativa de ausência, que na prática tornou o voto quase facultativo.
  • Divergem sobre risco democrático. Flávia Tavares observa que ninguém está tratando Flávio Bolsonaro como ameaça à democracia, ao contrário de 2022, e que a eleição virou comparação entre dois modelos de mundo. Cassimiro discorda: Flávio seria ameaça maior justamente porque o caminho não é o golpe militar (que os militares recusaram), e sim a intervenção estrangeira com Trump, com aparelhamento do STF por quatro ou cinco indicações e o modelo húngaro de Orbán, que proibiu financiamento externo a sociedade civil e universidades.
  • Flávia Tavares contrapõe que Lula enfraqueceu o próprio argumento ao indicar o ex-advogado e o ex-ministro da Justiça, alimentando o discurso antipetista, e ambos concordam que a exposição ao lobby de escritórios atravessa indicações de todos os governos, de Gilmar Mendes a Kassio Nunes Marques, com gradações de gravidade (um uísque com o filho não é uma transferência de 130 milhões) mas o mesmo sintoma.
  • Sobre as bets, avaliam a MP de proibição total que Lula sinalizou: Cassimiro teme que “proibição” cole mal numa sociedade que já acusa a esquerda de querer proibir tudo, e que incoerência apareça diante da defesa da legalização de drogas. Flávia Tavares adota o argumento de Débora Bizarria do programa anterior (o que não se enxerga não se mapeia nem se trata), lembra que o dinheiro da taxação não chegou ao SUS nem aos CAPS, e traz o dado de que a maioria das apostadoras mulheres entra no jogo para pagar dívida, não por entretenimento. O bloco sobre a CNBB e a soberania nacional é o mesmo já publicado como vídeo separado no canal.

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