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Lula perdeu a força? O cenário a dez dias da eleição | Não é Bem Assim

a tese

Na mesa de Dora Kramer com Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães (grafias conforme o canal), a pergunta é por que Lula, com cinco eleições presidenciais ganhas, está empatado com um candidato sem currículo, e a resposta convergente é que o empate é de rejeição, não de adesão, produto de um acúmulo do próprio PT.

aprofundar

não

é conversa de conjuntura com validade de dias. Guarda valor apenas a tese de que bater sempre no adversário o fortalece, que vale como observação sobre polarização, não como análise permanente.

O que foi dito

  • Dora Kramer abre pelo desequilíbrio de currículos e lista o acúmulo que explicaria o “ídolo de pés de barro”: a invenção do antagonismo nós contra eles, a recusa sistemática de autocrítica (mensalão e Lava Jato tratados como se não tivessem existido), o olhar para o passado e o primeiro ano do terceiro mandato gasto em Nobel da Paz e secretaria-geral da ONU, sem programa de governo e com as costas voltadas à Frente Ampla que o elegeu.
  • Os convidados somam o dado duro: 55% avaliam o governo como ruim ou regular, patamar difícil para qualquer incumbente reverter, e a rejeição a Lula é acumulada de anos, não deste mandato.
  • Um deles sustenta o erro estratégico central: Lula escolheu combater Bolsonaro do dia um ao último, e quem bate sempre na mesma tecla reforça o contraditório, mantendo o adversário em tela e convidando à comparação.
  • Cobram a agenda não feita: nos dois primeiros mandatos, em bonança, havia força política para reforma tributária e da previdência, e não se fez, deixando a economia em voo de galinha, enquanto o passo seguinte às transferências de renda (fazer a economia, e não o governo, tirar gente da miséria) nunca entrou na cabeça dele.
  • Registram a virada tardia de última hora (aumento do Bolsa Família, taxa das blusinhas, encontro com empresários marcado para desfazer a declaração de que ajuste fiscal é “babaquice”) e observam que a inadimplência do Desenrola já é alta, sem qualquer reconhecimento de que o incentivo ao consumo virou endividamento.
  • Do outro lado, descrevem Flávio Bolsonaro como candidato sem anamnese possível: político profissional no pior sentido, sem realização legislativa, ligação passada com milícias (medalhas, declarações, parentes de milicianos no gabinete) e presidente de comissão do Senado que compareceu a uma de seis reuniões no ano.
  • Explicam a comemoração do PT em janeiro, quando Jair indicou Flávio em vez de Tarcísio de Freitas: acharam que já tinham ganhado e relaxaram, e o resultado é que a rejeição a Lula vem do governo e a rejeição a Flávio vem da persona, mais dele do que do pai.
  • Anotam o movimento do centrão (PP, União e Republicanos), que estava em neutralidade lida como apoio velado a Lula e agora desce do muro em direção a Flávio, com peso eleitoral irrelevante agora e decisivo num segundo turno, e citam a proposta de Flávio de acabar com a reeleição, lida na mesa como preparação da candidatura do pai em 2030.
  • Diagnosticam o clima: desde a redemocratização nunca houve tanto descrédito nas instituições, não há campanha sobre educação ou saúde, só operação da Polícia Federal e escândalo do Banco Master, e nem candidatos a deputado e governador dizem em quem apoiam para presidente, com medo de perder voto num quadro empatado.
  • No fecho, reconduzem tudo a 2013 e à revolta contra um Estado que cobra e não entrega, a trinta anos de armadilha da renda média, ao custo do aparelho estatal que consome o investimento e a um Congresso e um Judiciário de baixo nível, com ressalva à cultura e ao pacifismo receptivo do país (um milhão de estrangeiros regularizados em cinco anos), e Dora Kramer encerra recusando prognóstico, com a única aposta de que a eleição deve ser decidida pelas mulheres da periferia das grandes cidades.

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