Central Meio de 25 de setembro, com Yasmin Restum, Flávia Tavares, Alexandre Borges e Pedro Doria: a terceira fase da Carbono Oculto liga o Banco Master ao esquema de combustíveis do PCC e ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, mas a mesa conclui que o efeito eleitoral disso é pequeno e que a eleição se decide na eleitora católica de classe C das periferias do Sudeste.
sim
o bloco sobre a padroeira é a discussão mais séria do dia sobre religião e política no Brasil, com dado empírico do ISER e um católico e um ateu discordando abertamente sobre o peso institucional da CNBB; o trecho já apareceu recortado no vídeo "As disputas dos campos evangélico e católico", que resumi à parte.
O que foi dito
- Flávia Tavares organiza o noticiário: Carbono Oculto é operação do Ministério Público de São Paulo com Receita, COAF e polícias, nasceu mapeando a infiltração do crime organizado na economia formal pelo setor de combustíveis, e chegou às gestoras REAG e grupo Entre, este último o intermediário dos repasses do Master ao fundo que financiaria o “Dark Horse”.
- Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, é o nó entre as duas investigações, já na condição de delator no caso Master; ele afirma ter enviado mais de 60 milhões de reais ao fundo nos Estados Unidos e, em outra frente, ter ganhado 570 vezes na loteria.
- Dario Durigan, da Fazenda, declarou que dinheiro não entra carimbado e que não se sabe qual dinheiro alimentou o filme; Flávia observa que a afirmação é tecnicamente correta mas politicamente carregada a nove dias da eleição.
- Outras revelações do dia: mensagens entre Daniel Vorcaro e Davi Alcolumbre, em que o senador chama o ex-banqueiro de “meu irmão”, e uma tentativa de delação em que Vorcaro atribui propina mensal de 3 milhões ao grupo de Jaques Wagner via Augusto Lima, que nega e ainda não foi confrontado com provas.
- Alexandre Borges insiste que o caso não é escândalo de direita e sim de Brasília, porque o poder estava à venda, e faz duas ressalvas: fechar um banco não resolve, porque o crime que gera os bilhões continua rendendo (cita o cigarro contrabandeado do Paraguai como 10 a 20% da receita do PCC), e é perigoso que o ministro da Fazenda, que influencia COAF, Receita e CVM, entre em campo a dez dias da eleição com uma acusação de nitroglicerina eleitoral que, se não se provar, já terá feito o estrago.
- Pedro Doria traz a leitura das pesquisas: Flávio Bolsonaro tem hoje exatamente o tamanho que o pai tinha em 2022, o bolsonarismo está mais frio mas isso não muda urna; quem perdeu voto foi Lula, e os indecisos passaram de 5% para 8%.
- O perfil desse eleitorado perdido é nítido no cruzamento da Quest: mulheres de classe C, periféricas, do Sudeste (Baixada Fluminense, ABC, Contagem), que votaram em Bolsonaro em 2018 e em Lula em 2022, e, ao contrário do estereótipo, são católicas e não evangélicas.
- Flávia acrescenta apuração própria, com Sila Schuman, do Instituto Ideia, de que esse público também pesa nas periferias de Recife e Salvador, o que explica a agenda de Lula em Pernambuco na reta final.
- A mesa dedica um bloco longo à polêmica da padroeira: a fala de Maria Cristina Fernandes na GloboNews foi recortada em 20 segundos pela militância, o projeto de lei é de 2007 e propunha apenas renomear o 12 de outubro como dia da padroeira dos católicos romanos, e o monitoramento do ISER sobre mais de 7 mil projetos entre 2023 e 2025 mostra a disputa crescente do campo evangélico por datas e tombamentos.
- Alexandre Borges, católico, relativiza: a CNBB é “sindicato de padre”, não hierarquia doutrinária, e a preocupação seria de franja; Doria, ateu, responde que ouviu de bispo que o temor existe na cúpula, e lembra que metade do patrimônio histórico brasileiro é católico porque até 1889 toda a burocracia de registro era da igreja.
- Registram que Flávio Bolsonaro é evangélico, como os irmãos, por influência da mãe Rogéria, enquanto Jair é católico, e que ele nunca pareceu hostil ao catolicismo.
- Fecham com o prognóstico: eleição empatada, “cara ou coroa”, e dois países possíveis, um com Lula, Alcolumbre no Senado e Moraes no STF, outro com Flávio, Arthur Lira e ao menos quatro novos ministros; Borges aposta que um governo Flávio seria um grande acordão do centrão, “a Rio de Janeirização do Brasil”, e ambos notam o componente perigoso de a eleição virar questão de sobrevivência pessoal para os dois lados.