a tese
Editorial do Meio que assume posição declarada contra qualquer candidatura Bolsonaro, atribui a competitividade de Flávio a um apagão de memória coletiva sobre o governo de 2019 a 2022 e sustenta que o escândalo do Banco Master já bastaria para desqualificá-lo.
aprofundar
não
é editorial assumidamente militante, útil como inventário factual do período 2019 a 2022, e a única parte analítica que se sustenta sozinha é o diagnóstico sobre a pauta da autonomia capturada pelo bolsonarismo.
O que foi dito
- A apresentadora afirma que a campanha foi abafada por crises institucionais, tensões no STF e pelo caso Banco Master, e que o futuro do país quase não foi discutido.
- Deixa explícito que não se trata de defesa de Lula ou do governo atual, e sim de posição que chama de civilizatória e inegociável contra qualquer Bolsonaro.
- Faz o inventário do governo anterior: Sergio Moro saindo do Ministério da Justiça acusando interferência na Polícia Federal; Abraham Weintraub e o post com o Cebolinha ironizando o sotaque chinês; Ricardo Salles e o “passar a boiada” na reunião ministerial; Damares Alves e o caso do aborto legal da menina de 10 anos no Espírito Santo; Milton Ribeiro associando homossexualidade a família desajustada e dizendo que alunos com deficiência atrapalham a turma.
- Segue com Paulo Guedes e a empregada doméstica na Disney, Roberto Alvim demitido pelo discurso de estética nazista, Ernesto Araújo e o atrito com a China, e Ricardo Vélez Rodríguez exigindo que escolas filmassem alunos cantando o hino.
- Lista o lado da corrupção: operação contra Salles por exportação ilegal de madeira, Marcelo Álvaro Antônio e as candidaturas laranjas do PSL, Onyx Lorenzoni admitindo caixa dois, Bento Albuquerque indiciado no caso das joias sauditas, o gabinete do ódio de Carlos Bolsonaro, o tarifaço articulado por Eduardo e as rachadinhas de Flávio.
- Propõe o teste da memória: quase ninguém lembra cinco ministros do governo atual, e isso, para ela, é o sinal de que o país deixou de viver em sobressalto diário.
- Admite o custo de ser jornalista independente no fogo cruzado da polarização, e diz que a maioria das críticas naturalmente recai sobre quem está no poder sem que isso apague o passado bolsonarista.
- Tenta explicar o voto sem reduzi-lo a caráter: além do antipetismo visceral, aponta a desconexão da esquerda com uma geração jovem que quer empreender e flexibilidade digital, enquanto o discurso oficial pregava a CLT dos anos 1940, deixando o bolsonarismo sequestrar a pauta da autonomia.
- Detalha o caso Master: Flávio dizendo em rádio que o caso dava nojo e era problema da esquerda, o vazamento do Intercept sobre a negociação de 134 milhões com Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, a gargalhada inicial e a desqualificação da repórter, seguidas do vídeo admitindo a relação.
- Fecha com o rombo estimado de 8 bilhões no BRB, a investigação sobre 12 milhões de dólares injetados na produtora e eventualmente desviados para bancar a vida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, a perícia terceirizada sem acesso a 70% das despesas, e a mensagem “estou e estarei contigo sempre” enviada a Vorcaro na véspera da prisão.