a tese
Entrevista do programa Diálogos com a futurista Jéssica Leite, que define os estudos de futuros e foresight como campo transdisciplinar cujo objetivo não é prever o futuro, e sim mapear possibilidades para gerar informação estratégica e mudar decisões no presente.
aprofundar
não
é divulgação bem feita de um campo metodológico, útil se algum dia você for montar cenário para um projeto, mas sem conteúdo que cruze com teologia ou exegese.
O que foi dito
- Ela situa o campo desde os anos 1950, com raízes na França e desenvolvimento nos Estados Unidos, e o princípio de partida: a incerteza é a única certeza, o futuro não é dado nem determinista, mas já emite sinais.
- Credita à RAND a origem do instrumental, com o método de cenários e a técnica Delphi, que busca consenso consultando especialistas sobre probabilidade de ocorrência de eventos mapeados.
- Cita o caso clássico da Shell nos anos 1970, cuja equipe antecipou a crise do petróleo e tomou decisões com base no estudo, o que popularizou a prática nas organizações.
- Distingue o campo do planejamento estratégico: os estudos de futuros entram na fase anterior, mapeando variáveis, atores e comportamentos, para que a organização reveja objetivos, riscos e oportunidades.
- Insiste que o valor está no processo, não só na entrega: o exercício tira as pessoas da caixa, e ela dá o exemplo da bióloga que lembrou da rota das baleias e inviabilizou um exercício naval que ninguém tinha relacionado ao tema.
- Sobre clima e sustentabilidade, relata o uso dessas ferramentas em setores da ONU e defende o “poder da localidade”: quem vive na comunidade vê sinais de desastre que a análise ampla do gestor público não capta.
- Conta a própria trajetória: civil, advogada, mestrado e doutorado na Marinha, linha de direito internacional do mar e métodos prospectivos, com dissertação sobre a relação entre as marinhas do Brasil e da China e tese sobre modelo participativo de cenários para o planejamento setorial de defesa.
- Argumenta que defesa é mais que fronteira e guerra: inclui ajuda humanitária na Amazônia, segurança alimentar e química, e observa com aprovação o movimento de civis entrando nos programas de pós-graduação das Forças Armadas, como já ocorre no Reino Unido, contra a oscilação brasileira entre desprezo e temor pelo tema militar.
- Sobre a noção de erro, responde que o campo não busca acertar e sim mapear possibilidades, e que o equívoco está no método: consultar sempre as mesmas pessoas devolve sempre as mesmas respostas.
- Provocada pelo entrevistador com o livro “Para onde vai o Brasil?”, dos anos 1930, ela recusa o prognóstico e aponta como sinais positivos a Estratégia Brasil 2050, a plataforma Brasil Participativo e o trabalho da ENAP, na direção de uma governança que incorpore dados e prazo longo.