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Kassio quer libertar Bolsonaro e Valdemar projeta retorno de ex-presidente em 2030 | Central Meio

a tese

Flávia Tavares, Pedro Doria e Magno Karl (grafia incerta na legenda) sustentam que o bolsonarismo está jogando mal ao agir como vencedor antes do segundo turno (antecipando a soltura de Jair Bolsonaro e prometendo governo igual ao do pai), e que a derrota de Lula no primeiro turno se explica por um governo que passou quatro anos sem entender a classe C, não por desinformação.

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É o melhor material de análise política da fila, com a leitura da classe C em Pinheiro-Machado, Solano e Meirelles valendo o tempo, mas é conjuntura eleitoral de duas horas sem conexão com o trabalho do Bruno; a mesma leitura aparece condensada nos dois cortes do Meio desta mesma varredura.

O que foi dito

  • O ponto de partida é a declaração de Kassio Nunes Marques de que pautará a revisão criminal da condenação por tentativa de golpe logo após o segundo turno, buscando liminar de soltura ainda neste ano com o argumento dos “exageros” no julgamento presidido por Alexandre de Moraes, com a PGR já avisando que se opõe.
  • Magno Karl sustenta que o Judiciário não depende de voto e não deveria se mover por ele, nem quando anulou as condenações de Lula nem agora, e acusa o Supremo de dar demonstrações sucessivas de que se move por interesse político; lembra que, ao contrário de Débora do Batom, Bolsonaro planejou um golpe segundo os ex-comandantes do Exército e da Aeronáutica.
  • Doria avalia que Kassio cometeu erro político ao fazer aceno a quem ele supõe que vai ganhar, porque mais da metade do país acha, em todas as pesquisas do Meio, que Bolsonaro devia ser preso, e a maioria que Flávio precisa conquistar não é o núcleo bolsonarista (estimado em 13 a 15%).
  • Enumera os “minions agindo independentemente”: Kassio antecipando a soltura, Valdemar dizendo que Jair governará junto e é candidato em 2030, Carlos Jordi anunciando que não haverá CPMI do Banco Master, Valdemar desautorizando o impeachment de ministro do STF, Rogério Marinho já se apresentando como presidente do Senado ou ministro da Casa Civil.
  • Mostra por que isso contradiz a própria estratégia: Flávio herdou rejeição de 56 pontos (maior que os 54 de Lula) e fez campanha como “Bolsonaro moderado” justamente porque precisa dos 3 milhões de votos que recebeu de quem votou em Lula em 2022, em Jair em 2018 e em Dilma em 2014, voto “mole” e recuperável.
  • Aponta como sinal de fraqueza o fato de Flávio não ter anunciado ministro da Fazenda: ninguém convidado aceitou, Mansueto Almeida recusou, e não existe no entorno um nome com lastro próprio como Paulo Guedes tinha em 2018.
  • Reconhece que Flávio é mais provável vencedor (o primeiro colocado do primeiro turno nunca perdeu num segundo turno brasileiro), mas aponta que Lula fez 3 milhões de votos menos que no primeiro turno de 2022 e 5 milhões menos que no segundo, e que a abstenção nas metrópoles se concentrou onde Lula vai melhor.
  • O miolo analítico é a leitura da classe C, ancorada em Rosana Pinheiro-Machado, Esther Solano e Renato Meirelles: metade do país em renda, um terço no recorte da periferia urbana, gente que ascendeu entre o Plano Real e o primeiro governo Lula, viu a mobilidade secar em 2013-2014 e hoje aspira ao próprio negócio e ao controle da própria vida, não ao emprego com carteira.
  • Daí a tese sobre o Estado: o Brasil se organizou desde os anos 30 para abrigar grandes empresas, com burocracia e tributação que só uma estrutura grande absorve, e ninguém, nem na esquerda nem na direita, oferece o desenho alternativo que permitiria o mar de pequenos negócios que essa classe quer.
  • Dois exemplos de política pública que ele trata como símbolo do desentendimento: a taxa das blusinhas, que cortou de uma vez a renda complementar de mulheres que revendiam importados e o acesso aos símbolos de status que posicionam essas pessoas socialmente (o brasileiro é, segundo pesquisas, o povo ocidental que mais valoriza símbolo de status), e o imposto sobre as bets, tratado como tapa-buraco fiscal.
  • A frase mais dura do programa: dizer que é problema o presidente não usar smartphone não é equivalência moral com corrupção, é dizer que ele está alienado, e a prova é que Lula só entendeu a crise das bets quando um funcionário do Alvorada quase se matou por dívida de aposta.
  • Flávia Tavares condena os ataques da esquerda nas redes a Eduarda Campopiano em três camadas (agride uma pessoa, agride uma mulher, não rende voto e alimenta o fenômeno político dela) e propõe o contra-argumento eficaz: ela só existe politicamente graças à luta feminista que combate.
  • Doria desenvolve uma tese econômica sobre o redpill: a mudança no modo de produzir riqueza, comparável à Revolução Industrial, atingiu principalmente homens de ensino médio em nação industrial, num momento em que o mundo das mulheres se expandiu, e nem o campo progressista nem o conservador tem interesse em conversa franca sobre reintegrar esse grupo porque o discurso polarizado rende voto.
  • Fecha analisando o fenômeno dos deputados jovens com pauta identitária (Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano no PL, Erika Hilton e Sâmia Bomfim no PSOL, Nikolas Ferreira com 30% dos votos de deputado em Minas), o suicídio eleitoral do PSOL que perdeu duas cadeiras em São Paulo por concentrar verba nas puxadoras de voto, e a situação do governo do Rio com Douglas Ruas, a Alerj sob investigação e o recurso de Garotinho indeferido pelo TSE.

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