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Lula e Flávio precisam apresentar seus planos de governo, diz cientista político

a tese

Mesa do Meio com Pedro Doria argumenta que a campanha chegou ao segundo turno sem que nenhum dos dois candidatos tenha apresentado projeto, com o eleitorado se contentando em escolher entre dois arquétipos, e que a transferência de votos dos derrotados está praticamente determinada: o jogo real está nos cerca de 3 milhões de votos "moles" que Flávio tomou de eleitores que votaram em Lula em 2022.

aprofundar

não

Boa análise de transferência de votos com método explicitado, mas puramente conjuntural; o único gancho durável é a recomendação do livro de Jairo Nicolau.

O que foi dito

  • Um dos convidados abre criticando a leitura que os dois candidatos fazem da economia de aplicativo: muita gente migra para a gig economy como renda complementar ou pelo controle do próprio horário, não pela expectativa de enriquecer, e isso funciona para o trabalhador de baixa renda como o equivalente ao home office de quem tem mais escolaridade.
  • Diagnostica a raiz do descompasso: a visão de futuro bom da classe política segue sendo a carteira de trabalho e uma CLT que em breve será centenária.
  • Denuncia a ausência de debate programático, com Flávio falando do governo Lula e Lula falando do governo do pai de Flávio, e atribui parte da culpa à própria sociedade, que aceita escolher entre as personalidades “modelo Lula” e “modelo Bolsonaro”.
  • Recomenda “O País Dividido”, de Jairo Nicolau (grafia conforme a legenda), entrevistado na edição de sábado do Meio, destacando o dado de que no início dos anos 90 dois terços do eleitorado brasileiro não tinham o ensino fundamental completo.
  • Passa à entrevista de Gilberto Kassab, abrindo com a piada da classe política de que a melhor estratégia de aliança é ver antes o que Kassab fez, e ao balanço ruim do PSD: candidato em quinto lugar e bancadas menores na Câmara e no Senado.
  • Reproduz a autodefesa de Kassab: passou quatro anos tentando lançar Tarcísio de Freitas e só lançou Ronaldo Caiado depois da desistência dele, “para mostrar que a gente não era bolsonarista”, linha que a mesa recebe com deboche, já que trocar uma pessoa por outra não demonstra nada.
  • Registra o estado dos apoios: PSD nacional neutro com liberação dos diretórios estaduais, Caiado anunciando apoio a Flávio no mesmo dia depois da visita a Goiás com Tarcísio a tiracolo, Eduardo Leite tendendo à neutralidade.
  • O analista com dados nega qualquer relevância aos apoios e projeta a migração com números: 56-57% dos votos de Augusto Curi para Lula, 37% dos de Caiado para Lula, 37% para branco e nulo, 86% dos de Renan Santos para Flávio, com os 300 mil votos de Romeu Zema irrelevantes.
  • Explica a metodologia: o voto é secreto, mas em eleição muito polarizada se sabe em que urna estavam os votos de Simone Tebet, Ciro Gomes ou Geraldo Alckmin, e a maioria das pessoas não muda de ideia; conclui que os votos de Curi são os votos de Tebet em 2022.
  • Fecha com o único vetor de mudança real: 3 milhões de votos que Flávio recebeu e que foram de Lula em 2022, de Jair em 2018 e de Dilma em 2014, voto “sem convicção” e recuperável.
  • Reivindica ter acertado o tamanho de Renan Santos desde o início, contra quem apostava nos números da Atlas, e reconhece que ali havia movimento real, ainda que nanico.

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