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How is Jesus God AND Man? Lutheran vs. Reformed Views of Chalcedon

a tese

Gavin Ortlund volta ao debate cristológico luterano-reformado para defender que o genus maiestaticum, a comunicação de atributos divinos como a onipresença à natureza humana de Cristo, é uma inovação excêntrica em relação à tradição anterior, e que as qualificações posteriores de Chemnitz e do Livro de Concórdia não resolvem o problema.

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é a discussão mais densa da rodada e cai no seu terreno: communicatio idiomatum, integridade da natureza humana e o que Calcedônia de fato obriga; ele monta a acusação por via histórica (a bibliografia de Richard Cross vale por si) e o ponto vulnerável a testar é se a distinção de modos de presença é mesmo inovação ou desenvolvimento legítimo de categorias medievais já disponíveis, que é justamente o que Cross diz terem ignorado.

O que foi dito

  • Abre fixando o quadro comum: Calcedônia (451, quarto concílio ecumênico) define uma pessoa em duas naturezas, contra a mistura monofisita e miafisita de um lado e a divisão nestoriana de outro, com as naturezas unidas sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação.
  • Formula a divergência: os luteranos comunicam majestade divina (onipresença, onisciência, onipotência) à natureza humana; os reformados predicam esses atributos à pessoa de Cristo, e não à natureza humana, para preservar a integridade de uma humanidade que, por definição, é finita.
  • Declara que este é o único ponto em que tem objeção real ao luteranismo, elogia as respostas recebidas (o canal Lutheran Scholastic e três vídeos de Jordan Cooper, a quem chama de amigo e teólogo excelente) e anuncia que este é seu último vídeo sobre o tema, oferecendo aos luteranos a última palavra.
  • Enfrenta a objeção central que recebeu: sua crítica valeria só para Johann Brenz, cuja comunicação absoluta de atributos começa na encarnação, e não para a linha posterior de Martin Chemnitz, que enfatiza a exaltação e distingue modos de presença; separa as duas trajetórias (Brenz e a escola de Tübingen; Chemnitz e a escola de Giessen).
  • Responde com cronologia: a obra decisiva de Chemnitz, As Duas Naturezas em Cristo, é de 1570, com segunda edição em 1578, ao passo que a polêmica formativa é anterior (Colóquio de Marburgo, 1529; Colóquio de Maulbronn, 1564) e reúne Calvino, Jan Łaski, Vermigli (1561), Bullinger (1561), o Catecismo de Heidelberg (1563), Beza (1565) e a Segunda Confissão Helvética (1566), de modo que os reformados respondiam ao que estava na mesa.
  • Documenta o que estava na mesa: Jakob Andreae ainda escreve em 1564, sem qualificação, que a humanidade de Cristo também está presente em toda parte, e no ano seguinte descreve o ensino de suas igrejas como comunicação da suprema majestade e de todas as propriedades da natureza divina ao homem Cristo; Beza resume a diferença dizendo que os luteranos querem a carne ornada de todas as propriedades da divindade, enquanto os reformados a unem à essência divina do Filho na pessoa.
  • Cita Richard Cross para mostrar que o Colóquio de Maulbronn tomou a cristologia de Brenz como representando simplesmente a posição luterana, e recupera o comentário de Brenz a João (1529), onde Cristo, também como homem, tem desde a encarnação a mesma glória e majestade de Deus, ocultando essa igualdade no tempo da carne.
  • Sustenta que a linguagem espacial não é invenção de Brenz: Cross situa a formulação mais antiga em Melanchthon (1527, “não devemos pensar que a divindade de Cristo esteja em algum lugar onde a humanidade não esteja”) e no próprio Lutero, dois anos antes de Marburgo, o que torna a leitura reformada inteligível.
  • Contra a tese de que Chemnitz resolve, cita o próprio Livro de Concórdia: a Declaração Sólida aprova Lutero ao dizer que Cristo pode estar em todo lugar onde Deus está, também segundo a humanidade; o Epítome condena a proposição de que o corpo humano de Cristo não pode estar em mais de um lugar, “muito menos em toda parte”; e o Catálogo de Testemunhos, embora negue expansão local da carne, afirma que a pessoa inteira está presente em toda parte de um modo conhecido só por Deus.
  • Mostra que Chemnitz nega a transformação da natureza humana em essência divina, mas afirma a multilocação e infere onipresença a partir da onipotência, dizendo que a humanidade, no Logos, tem todas as coisas diante de si e sobre elas reina estando presente.
  • Levanta as objeções: Vermigli pergunta o que é querer que o homem seja imenso, infinito e ilimitado senão negar que ele seja verdadeiramente homem; Richard Cross acrescenta o problema da simplicidade divina (por que alguns atributos se comunicam, como a onipresença, e outros não, como a eternidade, se todos são idênticos à essência) e a vagueza da ideia de um poder divino possuído mas não empregado.
  • Argumenta pela excentricidade histórica: os 39 Artigos anglicanos seguem a linha reformada (John Jewel escreve a Vermigli que os artigos não diferem dele por um fio de unha na questão ubiquitária), e mesmo Belarmino, na Contrarreforma, repete a crítica reformada tomando-a de Beza, segundo Cross.
  • Trata o argumento patrístico luterano: as citações do Catálogo de Testemunhos (Atanásio, João Damasceno, Cirilo) falam de glória, imortalidade, vivificação e adoração da carne, que os reformados também concedem, seguindo a distinção de Vermigli entre o que a natureza humana pode receber (imortalidade, luz, glória) e o que não pode (eternidade, imensidade, ubiquidade); só Ecumênio e Teofilato, sobre Efésios 4.10 e o encher todas as coisas com a carne, chegam perto da tese luterana, e Ortlund reconhece não dominar o contexto desses dois autores.
  • Contrapõe a tradição majoritária: Agostinho (“em toda parte como Deus, no céu como homem”, advertindo contra defender a divindade do homem a ponto de suprimir a realidade do corpo), Tomás de Aquino (nada impede que o Verbo esteja em toda parte, embora a natureza humana assumida não esteja) e as citações patrísticas reunidas por Thomas Cranmer, com Vigílio e Fulgêncio afirmando que a carne está no céu ou na terra, nunca nas duas.
  • Fecha mostrando que a posição reformada não esvazia a eucaristia (o corpo de Cristo é vivificante à distância, como em Calvino, e Tomás mostra que se pode ter visão alta do sacramento sem onipresença da humanidade) e nega a acusação de nestorianismo, apelando a Cirilo de Alexandria, que diz que o Filho de Deus morreu quanto à natureza humana e não morreu quanto à divina sem que isso divida a pessoa.

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