Radar

radar · Teologia Brasil

WE ARE REINO É SEITA? A BÍBLIA É INERRANTE? RESPOSTA

a tese

Yago Martins responde ao pastor Eduardo Reis (We Are Reino), que o acusou de desonestidade por ter chamado a igreja de seita, e sustenta que negar a inerrância e afirmar que a Bíblia apenas contém a palavra de Deus é heresia formal, o que basta para o rótulo. Ele lê o livro assinado por Reis e Pablo Marçal para mostrar que a posição é liberal, não neo-ortodoxa, e que a defesa posterior (o erro estaria só nas cópias) não se sustenta no que está escrito.

aprofundar

não

o conteúdo teológico real cabe em três teses já conhecidas (inerrância nos autógrafos, dupla autoria, preservação do texto) e o resto é polêmica pessoal e ameaça de processo, com pouca densidade exegética para o Bruno; só valeria acompanhar de longe como termômetro da guerra evangélica brasileira sobre bibliologia.

O que foi dito

  • Yago abre o quadro “respondendo haters” dizendo que o assunto voltou porque seguidores o cobraram no Instagram depois de um podcast em que Reis o chamou de desonesto e irresponsável, e responde de saída que a acusação já se resolve no próprio enunciado: se o pastor diz que a Bíblia tem erros, então ele é herege e a igreja é seita, e essa é toda a avaliação teológica necessária.
  • Ele define seita como grupo que se diz cristão mas nega ou corrompe doutrinas centrais (Trindade, divindade de Cristo, salvação pela graça, inerrância), invoca 2 Timóteo 3:16 e o ensino de Pedro sobre os autores movidos pelo Espírito Santo, e cita a Confissão de Fé de Westminster (“a escritura é a própria verdade”) como padrão histórico.
  • Contra a queixa de que não consultou a declaração de fé da igreja, responde que basta o que o pastor principal declara publicamente, e exibe um trecho em que Reis diz que os fiéis carregam no inconsciente a crença de que a Bíblia é inerrante, além da frase de live “a Bíblia não é um livro sobre Deus, é um livro sobre você na terra”.
  • O núcleo do vídeo é a leitura do livro digital “A Bíblia que você não leu, proibido para religiosos”, divulgado como escrito por Pablo Marçal e Eduardo Reis, especialistas com abordagem profunda e crítica; Yago insiste na divulgação porque Reis hoje alega que o livro nasceu de áudios de WhatsApp transcritos pelo Marçal, o que para ele significa que há mentira em algum ponto.
  • Do capítulo “A Bíblia é inerrante” ele lê que a Bíblia é construção humana inspirada por Deus mas que Deus não é o autor, e classifica isso como liberalismo, não neo-ortodoxia, afirmando que até Karl Barth gritaria heresia, já que a fé ortodoxa sustenta dupla autoria (Deus autor final que guia o processo, mais o autor humano).
  • Refuta ponto a ponto os supostos erros listados no livro: erros de português e de tradução são irrelevantes porque o debate acadêmico sobre inerrância trata dos autógrafos, não de João Ferreira de Almeida, da NVI ou de The Chosen; e a catalogação errada de animais é anacronismo, pois categorias científicas modernas são construções posteriores que não se aplicam a texto antigo.
  • Trata como o pior item a alegação de erros na composição do cânon, mostra um corte em que Reis (apoiado por um convidado) apela aos “múltiplos cristianismos” copta, siríaco (Dura-Europos) e etíope, com cânones distintos e Natal em janeiro, para relativizar o cânon protestante, e responde que crer em cânon aberto é heresia.
  • Rebate a acusação de hipocrisia por estudar no Fuller (que retirou a inerrância absoluta da declaração de fé em 1972): diz que escolheu deliberadamente um seminário do qual discorda para ter as bases confrontadas no doutorado, com orientador conservador, relata a aula em que um colega disse que Satanás não existe e o livro de hermenêutica queer que leu, e cita conselho de Augustus Nicodemus (grafia incerta) de que o doutorado serve exatamente para isso.
  • Assume que as “carteiradas” acadêmicas são estratégia jurídica, não vaidade, porque Reis ameaça processos (“Zé Processim”), e recorda que sua entrada original no caso se deu por causa das ameaças judiciais contra Jordana Vetic (grafia incerta) e Caio Modesto (grafia incerta), fato que Reis omite ao narrar a história; também critica o tom do pastor ao falar da influenciadora.
  • Fecha atacando a fórmula “a revelação é inerrante, mas o veículo não”: se a escritura é o único acesso à revelação e ela contém erro, não há critério externo para separar revelação de falha e quem decide passa a ser o leitor ou o pastor, e como Reis nega a preservação e o acesso aos autógrafos, o cristianismo acabaria; remete ao seu vídeo de introdução à crítica textual e ao minicurso gratuito com Marcelo Berti (grafia incerta), ligado a Daniel Wallace e ao comitê de tradução da NVI.

Mais de Dois Dedos de Teologia

49 no radar
09/10O FILME MAIS CRISTÃO DO STUDIO GHIBLI? Vidas Ao Ventoaprofundar: talvez08/10A MAIOR POLÊMICA SOBRE CALVINO: ELE MANDOU EXECUTAR SERVETO?aprofundar: talvez07/10VOCÊ TEM QUE VOTAR EM CANDIDATO DA SUA IGREJA?aprofundar: talvez06/10POR QUE VOCÊS ME INDICARAM ASSISTIR ESSE DOCUMENTÁRIO?! | A morte da esposa do pastor, Netflixaprofundar: talvez05/10MUITA GENTE VAI ACHAR QUE EU TO DEFENDENDO O LULA NESSA...aprofundar: talvez

todos os 49 vídeos de Dois Dedos de Teologia no radar →