a tese
Álvaro (canal arvro, ex-Meteoro) faz um vídeo-ensaio irônico, boa parte narrado em inglês como se dirigido a instituições científicas estrangeiras, sobre o mutirão de brasileiros que pede a laboratórios e centros de pesquisa que incluam o aviador e criador Lito (canal Aviões e Músicas), doente de Creutzfeldt-Jakob, em estudos clínicos.
aprofundar
não
O tema toca de leve na ética do uso compassivo e no cruzamento fé/ciência diante da morte, mas o vídeo é sobretudo crítica de mídia e comoção pública, sem desenvolvimento teológico ou filosófico que renda sessão do Bruno.
O que foi dito
- O vídeo se dirige de forma performática a Ionis Pharmaceuticals, Broad Institute, Mayo Clinic e Harvard, explicando a elas o fenômeno dos “mutirões” brasileiros de engajamento que inundaram as redes dessas instituições pedindo atenção ao caso de Lito.
- Álvaro concorda com a Folha de São Paulo em que “estudo clínico não é fila de atendimento” e reconhece que os pedidos populares ignoram como funcionam ensaios laboratoriais, marcando distância da pressão ingênua da comoção.
- Ainda assim, ele reformula o pedido em bases que considera melhores: a doença costuma causar declínio cognitivo rápido, e o caso de Lito seria atípico por preservar a cognição, o que o tornaria cientificamente interessante e digno de conversa com os pesquisadores.
- Recorre a um precedente que atribui aos anos 2000, o de um jovem chamado John Sims, que só recebeu tratamento experimental porque a família recorreu à justiça e sobreviveu cerca de dez anos, argumentando que “reconsiderar” foi o certo então e seria agora.
- Intercala falas do próprio Lito e da esposa Mila: ele afirma já ter havido “milagre” por manter a cognição, e ambos defendem o direito ao uso compassivo das medicações em teste, assumindo o risco calculado diante de um cenário sem alternativa.
- Lito se declara “homem de ciência, mas também de muita fé”, com a imagem do jogo que “só acaba quando termina”, misturando esperança religiosa e apelo à pesquisa médica.
- No meio do vídeo há um bloco de resenha do curta francês “Fósforos de segurança”, da diretora Pauline Belé (grafia incerta), lido como alegoria dos “espaços liminares” ou não lugares, com nota 8,5 de 10.
- O bloco de resenha serve de merchandising para uma plataforma de streaming brasileira que ele promove com cupom de desconto (grafia do nome incerta na legenda), no estilo publicitário assumido e autoirônico do canal.
- Nas considerações finais, Álvaro agradece a Lito por uma palestra de 2018/2019 na sede do Google (lançamento do “clube de canais” do YouTube) que teria ajudado a moldar seu antigo canal Meteoro, e anuncia que encaminhará a manifestação a todos os contatos que puder.
- Encerra com apoiadores comentando o caso, incluindo a denúncia de que grupos antivacina exploram a doença de Lito, defensor da vacinação, com fake news de que ela teria sido causada pela vacina.