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Joe Schmid is Catholic (Again): Everything You Need To Know (almost)

a tese

Numa live de mais de quatro horas do Nerd Church, uma anfitriã católica de formação acadêmica em ciências da religião e o convidado R.J. (canal Absolute Optimist, teísta "otimista" e amigo antigo de Joe Schmid) percorrem vídeos antigos e recentes de Schmid para argumentar que a conversão dele ao catolicismo tradicionalista é sincera, mas rasa: ele nunca "desconstruiu" de fato, ignora a erudição bíblica histórico-crítica e outras disciplinas, e trocou o próprio ceticismo por Pascal e milagres.

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É a crítica vinda de dentro do campo católico/teísta (não de ateus nem de protestantes), o que a torna útil como contraponto, e os pontos sobre desconstrução ausente, special pleading nos milagres, universalismo esperançoso e a genealogia evangélica do vocabulário tradicionalista têm valor. Mas são 4h de live divagante, com muito viés político progressista e digressão; o essencial cabe neste resumo, e a crítica epistêmica melhor formulada está no vídeo do Sheng Tsai.

O que foi dito

  • Enquadram Schmid (25 anos, doutorando de filosofia em Princeton, ex-católico devoto de escola de classe média alta) como caso-exemplo típico da geração de jovens convertidos masculinos muito online ao catolicismo tradicional, citando um relatório da Arquidiocese de Chicago preocupado com a rigidez desse grupo; negam que ele seja “grifter”, mas notam o crescimento de views e patronos após o anúncio.
  • Tese central de R.J. e da anfitriã: mesmo agnóstico, Schmid nunca desconstruiu os padrões de pensamento que recebeu; apenas argumentava contra eles a partir de uma filosofia analítica “de poltrona”, sem neurociência, biologia, psicologia, literatura ou teologia; “nenhum argumento dele não poderia ser feito por um cérebro num pote”.
  • Contraste que estruturava o vídeo: o Joe de quatro anos atrás dizia que milagres têm probabilidade intrínseca baixíssima e exigem barra evidencial altíssima (contra relatos de segunda mão, engano, mentira, alucinação, contágio social); o Joe convertido aceita relatos de terceira mão de apologetas interessados e larga todo o ceticismo, incorrendo justamente nos vieses que antes denunciava.
  • Acusam duplo padrão epistêmico: Schmid pratica humildade (“não é minha área”) sobre bioética/aborto, mas não faz o mesmo com a erudição bíblica crítica nem com a pesquisa dos milagres (que envolve física, patologia, psicologia, fotografia), disciplinas que ele despreza; James Fodor teria mostrado que Joe elimina hipóteses em vez de comparar explicações.
  • Leem a conversão como Aposta de Pascal disfarçada, com Schmid voltando à fé da infância sem nunca ter examinado seriamente islã, hinduísmo, budismo ou mormonismo; citam o paper de Elizabeth Jackson (2021/22) de que a aposta, levada a sério, favoreceria o islã sunita tradicionalista, cujo inferno é mais gráfico.
  • Sobre milagres não católicos: R.J. relata casos hindus (cura de câncer terminal, “possessão” resolvida por técnica de beber/regurgitar água), a autossacrifício por chuva na Índia, e a aparição de Zeitoun sobre igreja copta (com antropóloga americana que só viu luzes inexplicáveis sem eletricidade na área), argumentando que Schmid faz special pleading ao aceitar só o milagre católico; ironizam que Zeitoun favoreceria mais a ortodoxia copta.
  • Desmontam a lógica de Fátima/Lourdes: são católicos relatando visão católica que confirma dogmas católicos (Imaculada Conceição promulgada em 1854, quatro anos antes de Lourdes; consagração da Rússia sem jurisdição papal e num país ortodoxo/ateu, o que “não faz sentido”); “se Trótski tivesse acordado suando frio com a mensagem, provaria algo”; notam que a fórmula “vindica doutrinas distintivamente católicas” é citação de Ethan Muse, e suspeitam que Schmid confia demais no amigo.
  • Sobre profecia e prova falha: elogiam (com ironia) a explicação de Bento XVI para o terceiro segredo de Fátima (Maria “desviou a bala” de João Paulo II porque houve arrependimento) como jeito engenhoso de lidar com profecia falhada, e observam que muitos católicos devotos duvidam de Fátima e escolhem “suas” aparições marianas prediletas.
  • Criticam a submissão de Schmid ao magistério mesmo contra as próprias intuições morais, e a insistência de que ou o inferno é populoso ou o ateísmo é verdadeiro, ignorando o universalismo esperançoso (posição católica ortodoxa em que só Judas e os anjos caídos estariam certamente no inferno), que a própria anfitriã sustenta.
  • Apontam a linguagem “convicted of my sin” e “God launched a full frontal assault” como vocabulário evangélico adotado pelos católicos tradicionalistas, e reduzem as “experiências quase-religiosas na academia (gym)” e os vídeos de santos a um “runner’s high” e a atração emocional, comparando a conversão a casar-se com a primeira pessoa que diz sim após um término.
  • Observam com franqueza o próprio incômodo: a apologética católica é tão ruim que os afasta mesmo de teses que aceitariam; e denunciam o histórico de mentir “pelo bem maior” (encobrimento de abuso sexual, “melhor uma criança sofrer que cem perderem a fé”) como razão para desconfiar de relatos de milagre. Encerram prometendo continuar na semana seguinte com os vídeos do Pints with Aquinas e do Trent Horn.

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