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Joe Schmid and Pints with Aquinas Pt. 2

a tese

Numa live de reação ao "Pints with Aquinas" de Joe Schmid, a católica progressista Katie e o amigo de Schmid R.J. argumentam que a conversão dele é a de um católico conservador de berço em busca de certeza, que apoia a fé em milagres empíricos falsificáveis (sobretudo eucarísticos) avaliados por gente sem competência científica ou histórica.

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É a crítica interna católica mais substantiva ao método de Schmid e Muse (milagre falsificável, ausência de competência técnica, escrupulosidade e busca de certeza), útil ao Bruno pelo ângulo epistemológico e pela tensão conservador versus progressista dentro de Roma; longo, mas com bastante conteúdo.

O que foi dito

  • Enquadram Schmid como emblema de jovens atraídos ao catolicismo pela promessa de certeza e respostas claras, apoiada num apelo a milagres e experiência direta que é relativamente novo no catolicismo moderno; frisam que ele não está fazendo grift nem teve surto, é uma trajetória religiosa de anos.
  • Notam que Schmid, mesmo tendo sido crítico, só quis voltar à versão conservadora do catolicismo em que foi criado, ignorando o catolicismo progressista (universalismo, James Martin, Maxwell Kuzma) e as mudanças em curso sobre sexualidade (bênçãos a casais do mesmo sexo, falas dos papas Francisco e Leão).
  • Atacam a base dos milagres eucarísticos: muitos “milagres” acabam sendo mofo (fungos que dão positivo para sangue AB humano), a própria Igreja Católica investiga com ceticismo, e os laudos que Schmid cita (Linoli em Lanciano, Serafini em “A Cardiologist Examines Jesus”) foram contestados por metodologia falha; Schmid confia no amigo Ethan Muse, não nas fontes primárias.
  • R.J. denuncia a metodologia de Ethan Muse: chamou a alta crítica bíblica de “fanfiction”, usou fonte polêmica do século XIX contra os mórmons, cita John Earman sobre Hume ignorando os humeanos que refutaram Earman; nem Muse (mestrando em filosofia da computação em Rutgers) nem Schmid têm treino em biologia, física ou historiografia para avaliar as evidências.
  • Leem como sintoma o pavor recorrente de Schmid (“oh não, o catolicismo pode ser verdadeiro”): tratar como má notícia a existência de um Deus triúno e onibenevolente revela um Deus do inferno eterno herdado da criação conservadora, agravado pelo TOC e pela escrupulosidade que ele mesmo relata.
  • Criticam Schmid ter apagado vídeos antigos de argumentação ateísta por serem “escandalosos”, sem contra-argumento, comparando com retratação acadêmica (que só ocorre por fraude ou erro de fato, não por mudança de opinião); ele admite não ter refutação, apenas submete o intelecto ao magistério.
  • Desmontam a “aposta da pistola de sinalização” (rezar orações condicionais mesmo com 1% de chance): pressupõe um Deus pessoal e específico que aceita esse tipo de oração, ignora que foi esse Deus quem pôs a pessoa na floresta, e que “conhecer, amar e servir” já é oração católica; R.J. observa que rezar com regularidade já leva a crer (lex orandi, lex credendi).
  • R.J. antecipa uma apresentação sobre o matemático hindu Ramanujan, que atribuía suas fórmulas à deusa Namagiri (uma forma de Lakshmi): se dá para montar um argumento milagroso para o hinduísmo tão bom quanto o do catolicismo, ou ambos são verdadeiros ou milagres são péssimo critério de verdade religiosa; próximos episódios trarão o biólogo Jay Bundy e M. David Litwa sobre a leitura bíblica de Schmid e Muse.

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