Live de duas horas e meia do Nerd Church (católica progressista, com o convidado David, ex-padre, que escreve no Substack "Apostata Fidelis", grafia incerta) em duas partes: a ala tradicionalista católica desistiu de reverter o Vaticano II sob o papa Leão e passou a "manter a cabeça baixa", e a conversão de Joe Schmid, comentada trecho a trecho a partir da entrevista dele no Pints with Aquinas (Matt Fradd), opera por submissão do intelecto à autoridade, usando os milagres católicos como bloqueio de pensamento diante do inferno, da moral sexual e do problema do mal.
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É a crítica mais substantiva ao caso Schmid até agora no acervo, porque ataca o método e não a biografia: milagre como encerrador de discussão, explicação debunking que transforma discordância em pecado, e modelos de inferno que esvaziam o próprio conceito que dizem defender; material direto para o dossiê CASO-SCHMID e para a discussão sobre autoridade e intuição moral.
O que foi dito
- Primeira parte: reagem a uma entrevista do arcebispo excomungado Carlo Maria Viganò ao LifeSiteNews, em que ele rejeita tanto o sedevacantismo quanto o “hiperpapalismo” e propõe que os tradicionalistas resistam rezando o rosário, fazendo penitência e frequentando a missa tridentina até que Deus dê “um papa que seja verdadeiramente Pedro”.
- A apresentadora lê isso como bandeira branca temporária, e observa o cálculo que a torna inevitável: os cardeais que elegeram Leão são quase todos nomeados por Francisco, e no próximo conclave serão nomeados por Francisco ou por Leão, de modo que a virada à direita não tem aritmética; levanta como hipótese remota um conclave paralelo com antipapa.
- Mostram também Anthony Stein (Return to Tradition) comentando a carta de Leão ao cardeal Roche, que confirma a manutenção da Traditionis Custodes e frustra a expectativa tradicionalista de liberação da missa antiga.
- Segunda parte, a conversão de Schmid: ele narra a última conversa com o amigo Ethan (Mateus 16, monoepiscopado primitivo, história da igreja) que derrubou suas alternativas não católicas, e a confissão de uma década feita sem agendamento, de uns 45 minutos, precedida de um exame de consciência de duas a três horas.
- Os dois comentaristas apontam a desproporção entre a “década de devassidão” alegada e a biografia conhecida (família devota que foi à beatificação de Fulton Sheen, missa com os pais, doutorado em filosofia, rosário diário por conselho do Ethan antes mesmo da volta) e leem o roteiro de depravação e redenção como importação protestante dentro do catolicismo convertita conservador em que Schmid está inserido.
- Sobre o inferno: Schmid diz que a objeção da desproporção entre pecado finito e pena infinita não o deteve, porque a evidência dos milagres católicos (Padre Pio, Fátima) equivaleria a ter visto Cristo ressuscitado, e diante disso o racional é submeter o intelecto; a apresentadora chama isso de “thought terminating cliché”, e nota que não há relação causal entre o milagre do sol em Fátima e o tormento consciente eterno, que nem está descrito assim na Bíblia.
- Schmid oferece duas saídas técnicas que os dois rejeitam: a gravidade infinita do pecado pela dignidade infinita do ofendido (o argumento da majestade ferida, que David ataca lembrando que na própria teologia católica Deus é impassível, não pode ser lesado), e o modelo, tirado de um artigo de Brian Cutter, de sofrimento infernal eterno mas de soma finita, decrescendo em progressão geométrica; a apresentadora responde que isso é “purgatório com passos a mais” e que seria mais honesto adotar o universalismo esperançoso, que o catolicismo permite.
- David apoia a objeção em David Bentley Hart (diz ter resenhado o livro dele): o tormento eterno diminui Deus, deixando-o menos benevolente que pais que gastam tudo para tirar um filho do vício, e lembra que Agostinho registra uma minoria considerável de cristãos antigos favoráveis à apocatástase; acrescenta a objeção tomista e aristotélica de que ninguém escolhe o mal enquanto mal, o que corrói a ideia de rejeição plenamente lúcida de Deus.
- Sobre homossexualidade: Schmid declara que morreria por pessoas LGBT e chama de bela a doutrina do desejo desordenado; os dois respondem que o que conta é como a doutrina é recebida, que nenhum gay se sente amado por ela, e a apresentadora, que é queer, descreve a lógica como “predestinação para queers”, já que o mesmo afeto é ordenado ou desordenado conforme o objeto.
- O ponto mais duro é contra a estratégia epistêmica de Schmid, a explicação debunking: como as intuições morais são cognitivamente penetráveis e o catolicismo já prevê, pelos efeitos noéticos do pecado, que elas errem justamente aqui, discordar passa a ser sintoma de pecado; David classifica isso como ad hominem elíptico, que confunde retidão moral com superioridade racional, e conta ter recebido o mesmo tratamento ao deixar o sacerdócio.
- Sobre o problema do mal, que foi a causa declarada da desconversão de Schmid: ele agora oferece ignorância humana quanto às razões divinas, o peso maior da evidência positiva e uma hipótese de anjos encarregados de guiar a evolução de modo benévolo que teriam falhado; os dois tratam isso como violação da navalha de Occam sem base bíblica, e David faz a crítica de fundo, Schmid trata sofrimento como questão puramente intelectual, falando de sofrimento animal abstrato e nunca de dor concreta, o que o ex-padre, que acompanhou atrocidades no ministério, chama de desumano.
- A apresentadora anuncia que a próxima quinta fecha a série com Schmid no canal de Trent Horn, e que Fátima e Padre Pio terão tratamento dedicado mais adiante (sobre Padre Pio, adianta que há relatório médico encomendado pelo Vaticano nos anos 1920 concluindo que os estigmas eram falsos).