O canal Modern Atheism abre uma série refutando o "case for God" de Joe Schmid e ataca o argumento da contingência: a tese central é que adotar o princípio de razão suficiente na versão contrastiva (exigir explicação não só da existência, mas de por que a coisa tem a feição A e não B) leva ao "colapso" do argumento, porque toda feição arbitrária do mundo acaba tendo de repousar num desejo contingente e inexplicado de Deus.
sim
É o material filosoficamente mais denso do lote: um ateu competente engaja o argumento da contingência de Schmid no nível da literatura (Swinburne, Pruss, Koons, Huemer, Oppy, PRS contrastivo, colapso modal), justamente o terreno analítico que interessa ao Bruno. O ponto do indeterminismo e o "colapso moral" merecem exame; vale como análise avulsa ou insumo para acompanhar a série.
O que foi dito
- Declara admiração por Schmid e comenta reagindo a clipes do vídeo dele, ponto a ponto, sobre contingência.
- Contra a noção de ser necessário concreto: os exemplos usuais de verdade necessária (1+1=2, “solteiros são não-casados”) são todos lógicos, cuja negação gera contradição; nenhuma verdade necessária tem a forma “esta coisa concreta existe”, então um Deus necessário concreto seria suspeito; invoca o artigo de Richard Swinburne (“What Kind of Necessary Being Would God Be?”) em que Swinburne nega que Deus seja ser necessário e o trata como fato bruto contingente, além de Michael Huemer e do próprio coautor de Schmid, Matthew Adelstein (Allacastine na legenda), como simpáticos a essa recusa.
- Sobre necessidade metafísica intermediária (entre lógica e física): diz ter dificuldade, após conversa com Alex Malpass, de achar candidatos que não sejam apenas leis lógicas; o único plausível seria o princípio causal (“do nada, nada vem”); pergunta por que existiria uma lei metafísica obrigando um ser onipotente consciente a existir.
- Concede a Schmid dois pontos: que uma série infinita de esferas ainda pediria explicação (formaliza que a série de explicações é idêntica à série de explananda, o que equivaleria a a série se autoexplicar, impossível); e critica a analogia das esferas maiores “pedirem mais explicação” como assimetria injustificada, virando o argumento contra um Deus infinitamente “grande”.
- Aponta o indeterminismo (decaimento quântico) como contraexemplo forte à versão contrastiva do PRS: não há explicação de por que a partícula decaiu neste instante e não noutro.
- Ataca o argumento de Schmid via cérebros de Boltzmann/ceticismo global (de Pruss e Rob Koons) como epistemologia ruim: comparar com humanos futuros simulando cérebros mostra que “o cenário levaria ao ceticismo” não prova que o cenário é falso.
- Sobre valor infinito: valor é subjetivo e relativo a um observador; Deus sozinho é infinitamente valioso para si, mas o próprio locutor também o seria, logo “valor ilimitado” não singulariza Deus. Sobre poder infinito, invoca Huemer sobre magnitudes intensivas não poderem ser infinitas (analogia da velocidade infinita), o que arruinaria a exigência de poder ilimitado.
- Núcleo do “colapso moral”: mesmo concedendo livre-arbítrio libertário a Deus, explica-se a existência das árvores, não o contraste (por que este número e não outro, por que a bola vermelha e não azul); como não há outros fatores fora de Deus (ao contrário do câncer explicado por fumo + genética + ambiente), a contingência recai num desejo bruto de Deus, e o argumento não explica nada.
- Anuncia que Josh Rasmussen aceitou ir ao canal (talvez outubro) discutir contingência, cogita um debate a três com Schmid, e promete partes futuras sobre harmonia psicofísica, ajuste fino e harmonia nomológica.