a tese
O canal Modern Atheism responde ao argumento do ajuste fino (fine-tuning) de Joe Schmid, sustentando que ele é mais frágil do que parece: a resposta forte não está na filosofia, mas na física, onde as constantes podem depender umas das outras ou de algo mais fundamental, além do recurso ao multiverso.
aprofundar
talvez
interessa ao Bruno pelo caso Schmid e pela filosofia da religião, mas o vídeo é técnico de física (Stenger é contestado por Luke Barnes) e o próprio apresentador reconhece limites; serve como contraponto ateu a Schmid, não como fonte teológica robusta.
O que foi dito
- Abre reconhecendo que o ajuste fino é o argumento em que os ateus mais erram ao responder, e dedica a primeira parte a demolir as respostas ruins do próprio lado ateu.
- Rejeita a analogia da poça d’água (a vida se adaptaria a outras constantes), porque com constantes muito diferentes o universo seria um buraco negro ou uma sopa de hidrogênio, sem vida alguma possível.
- Descarta o apelo à necessidade das constantes (ainda restaria explicar por que as necessárias levam à vida) e o apelo à impossibilidade de calcular probabilidade quando o intervalo é infinito, usando a analogia da mosca acertada por uma agulha numa parede infinita, atribuída a Miles Donahue.
- Rejeita ainda “Deus poderia ter feito vida sem ajuste fino” (basta ser plausível que ele quisesse fazê-la assim), “Deus também precisaria de ajuste fino” e “grande parte do universo é hostil à vida” como respostas que não atingem o argumento.
- Apresenta a própria abordagem, calcada no físico Victor Stenger e no livro “The Fallacy of Fine-Tuning”: simulações (o programa “MonkeyGod”) mostrariam que mais da metade dos universos gerados ainda produz estrelas de vida longa mesmo variando as constantes por dez ordens de magnitude.
- Defende o ponto central de Stenger: constantes aparentemente independentes (taxa de expansão e densidade de energia, gravidade e massas via mecanismo de Higgs, forças que convergiriam numa energia de unificação, razão próton-elétron por conservação de carga) podem depender umas das outras, colapsando o espaço de probabilidade.
- Acrescenta uma contribuição própria sobre necessidade matemática da estrutura das leis (soma de massas de uma galáxia, área do quadrado com expoente 2, lei do inverso do quadrado da distância), sugerindo que a estrutura das leis não é tão arbitrária quanto Schmid supõe.
- Defende o multiverso como a resposta mais forte e contesta as objeções de Schmid: não entende a força do “ajuste fino para a descoberta”, considera a estrutura das leis do multiverso uma questão a priori não calculada, e responde à analogia das bolas de Joshua Rasmussen que universos com muitíssimas partículas poderiam gerar estruturas complexas.
- Descarta o problema dos cérebros de Boltzmann levantado por Schmid, comparando-o ao cenário de cérebros em cubas ou de simulação: você poderia ser um, mas isso não refuta epistemicamente o cenário do multiverso.
- Encerra admitindo não ter coberto o ajuste fino para a descoberta e prometendo um vídeo à parte.