a tese
Conversa longa (mais de duas horas) entre Miles Donahue e o filósofo Kevin Scharp (Twente, ex-St. Andrews), que em 2016 debateu William Lane Craig, revisitando um a um os argumentos do caso cumulativo de Craig pela existência de Deus e sustentando que nenhum deles funciona como apresentado.
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sim
É filosofia da religião de alto nível sobre exatamente os argumentos que interessam ao Bruno (contingência, kalam, fine-tuning, argumento moral), com uma objeção original (psicologia divina) que rende análise avulsa e diálogo com o material do TCC e da simplicidade divina.
O que foi dito
- Scharp reconstrói os bastidores do debate de 2016: dois meses de preparação, leitura de sete livros de Craig e do podcast inteiro, decisão deliberada de evitar o jantar prévio para manter a postura crítica, e a estratégia de introduzir bayesianismo para mostrar que premissas a 51% não sustentam nenhuma conclusão de Craig.
- O golpe mais forte, segundo ambos, foi a objeção da “psicologia divina”: o ateu deveria abandonar o problema do mal e o argumento da ocultação divina, porque partir de intuições sobre o que Deus faria é inválido; Donahue diz que isso o marcou por anos e gerou seu paper “Divine Psychology and Cosmic Fine-Tuning”.
- No fine-tuning, Scharp exigiu que Craig mostrasse que um universo compatível com a vida é mais provável sob o teísmo, não apenas improvável sob o ateísmo; Craig não conseguiu responder, o que ambos consideram o ponto em que ele ficou sem saída.
- Argumento de contingência: Scharp ataca a premissa 4 (se o universo tem explicação, é Deus) como mero apelo à autoridade e critica a passagem de explicação para causação; sustenta que os conceitos de causação e explicação são “defeituosos” e internamente inconsistentes, exigindo conceitos sucessores (seu programa de engenharia conceitual) antes de se poder confiar no argumento.
- Sobre o kalam, aponta que a física atual é inconsistente (teoria quântica de campos versus relatividade geral sem gravidade quântica), que ninguém tratou o infinito de Craig com teoria de conjuntos transfinita rigorosa, e que a intuição não é confiável em domínio técnico; Donahue conta sua própria investigação sobre cardinalidade de mundos possíveis.
- No argumento moral e do valor da consciência, divergem em metafilosofia: Donahue sustenta que a consciência funda os bens morais (amor, alegria, contemplação); Scharp, trazendo o problema difícil de Chalmers e o caso da IA, questiona que agência moral exija consciência no sentido do hard problem, e nega que um universo com agentes conscientes seja em si mais valioso.
- O tom é de dois acadêmicos amistosos e tecnicamente densos; o título “todo argumento por Deus, refutado” é mais provocação do que descrição, já que boa parte da crítica é ceticismo conceitual idiossincrático do próprio Scharp.