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We Must Save Science from Quantum Mechanics

a tese

Miles Donahue entrevista a física e filósofa Emily Adlam, que sustenta que as principais interpretações da mecânica quântica são epistemicamente autodestrutivas, porque não conseguem explicar como a evidência experimental que levou à teoria continua valendo dentro da própria teoria. A conclusão dela é que nenhuma das abordagens maduras está certa e que algo precisa ser acrescentado ao formalismo, sem retorno a uma ontologia clássica subjacente.

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sim

o último terço é munição direta contra o argumento antrópico de Adelstein e Wollen e contra o uso do multiverso no ajuste fino, e a distinção entre credências auto-localizantes puras e superficiais é ferramenta que serve a qualquer discussão de probabilidade em filosofia da religião, inclusive ao que Bruno está escrevendo.

O que foi dito

  • O ponto de partida é metodológico: qualquer teoria tem de contar uma história coerente sobre a evidência que a confirmou, pressupondo memória confiável do passado, correspondência entre frequências relativas e probabilidades e comunicação fiel entre observadores. Interpretação que destrói esses pressupostos diz, em efeito, que foi um erro chegar à teoria.
  • Como a quântica está sob todas as outras teorias, Adlam argumenta que o problema não fica contido nela, contaminando a teoria da observação em outros regimes.
  • No caso de muitos mundos (Everett), o problema central é o da probabilidade: se todos os resultados ocorrem sempre, não se vê por que o observador deveria esperar frequências relativas conformes à regra de Born, e é desse casamento que vem quase toda a evidência da teoria.
  • A contagem de ramos não salva: nas versões modernas os ramos são estruturas emergentes e aproximadas, e a contagem ingênua dá probabilidade igual a todos os resultados. Ela menciona uma versão sofisticada de contagem proposta por Simon Saunders.
  • Contra a abordagem decisão-teórica (teorema de representação estendido ao universo everettiano), ela levanta três objeções: os axiomas proíbem o agente de ter preferências sobre a estrutura global do mundo, justamente o que importa na confirmação, a prova é prospectiva enquanto a confirmação é retrospectiva, e o resultado é de racionalidade prática, não de crença, a menos que se adote pragmatismo e behaviorismo sobre credência.
  • A distinção que organiza a crítica dela é entre credência auto-localizante superficial (não sei que horas são, mas em cada mundo possível há um único horário, e isso se reescreve em terceira pessoa) e pura (dois clones no mesmo mundo, atrás de portas de cores diferentes). Para a pura, ela nega que haja qualquer constrangimento racional, inclusive o princípio de indiferença, porque não existe processo de sorteio sobre o qual se possa investigar empiricamente.
  • A analogia dos dardos sustenta o argumento: nas simetrias o que conta é a simetria do processo de arremesso, não a do alvo, e as provas por simetria no caso everettiano olham para o alvo porque não há arremesso algum.
  • Ela estende o diagnóstico às interpretações relativas ao observador, que levam a realidades desconectadas e assim destroem o caráter social da confirmação experimental, e formula o dilema geral: as abordagens só unitárias funcionam tecnicamente mas têm problemas epistêmicos graves, e as que alteram o formalismo resolvem a epistemologia mas nenhuma funciona para toda a teoria quântica de campos. A rota que ela considera promissora é a mecânica quântica relacional alterada que propôs com Carlo Rovelli, acrescentando mecanismo de acordo entre perspectivas.
  • Nas consequências metafísicas, ela defende leis que constrangem a história toda de uma vez, como as regras de um sudoku em vez de evolução para frente, considera o presentismo insustentável já desde a relatividade, e suspeita que o espaço-tempo e o tempo sejam emergentes, de modo que o quadro final seria atemporal visto de fora. Sobre Copenhague, cita a ironia de John Bell quanto a saber se a função de onda colapsa com uma bactéria ou só com um observador com doutorado.
  • O trecho de filosofia da religião é o mais diretamente útil: Donahue apresenta o argumento antrópico de Matthew Adelstein e Amos Wollen, que usa a suposição de autoindicação para concluir que existem todas as pessoas possíveis e daí inferir teísmo. Adlam rejeita todos os passos, porque a autoindicação é mais um constrangimento sobre credências auto-localizantes puras e não há nenhum, e acrescenta que o argumento pressupõe identificar “eu” de modo transmundano antes de especificar o mundo, referência que ela não concede. Sobre ajuste fino, ela admite multiverso como explicação quando o argumento dispensa distribuição de credências sobre os universos (basta que haja muitos para que algum tenha vida), mas não quando se quer explicar o valor de constantes específicas.

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