a tese
Luiz Sayão percorre as interpretações do "espinho na carne" de 2Coríntios 12 e conclui que a mais provável é uma enfermidade física séria (provavelmente oftálmica) de Paulo, não pecado, inimigos ou demônio.
aprofundar
talvez
é exegese pastoral competente e honesta sobre um crux clássico de Paulo, mas em registro divulgativo; renderia ao Bruno só se ele quiser cotejar a leitura oftálmica com os comentários de 2Coríntios da biblioteca dele.
O que foi dito
- Abre com um quadro cômico (Sayão encarnando Paulo com sotaque estrangeiro) e lê 2Coríntios 12:7-9, situando o espinho no contexto em que Paulo é desprezado por sua aparência e tem a liderança contestada em Corinto.
- Descarta a primeira hipótese, de que o espinho seria um pecado (associado a sexualidade), como “grande loucura”: Paulo não aparece casado, mas o texto jamais chamaria uma tentação sexual de espinho na carne, e a especulação não se sustenta num judeu religioso respeitado.
- Examina a segunda hipótese, de que o espinho seriam os inimigos de Paulo, apoiada em Números 33:55 (inimigos como espinho nas costas), mas a rejeita: Paulo enfrentava opositores com coragem e argumento, e não pediria três vezes livramento deles.
- Considera a terceira hipótese, de batalha espiritual/demônio (comparando com Lutero e suas lutas contra presença satânica), como possível mas não a melhor, porque Paulo se gloria nas fraquezas (fraquezas, insultos, necessidades, perseguições, angústias) e diz que quando é fraco é forte.
- Sustenta como mais provável um problema físico de saúde, apoiado nas descrições do século II (Paulo pequeno, pernas arqueadas, calvo, sobrancelhas grossas) e no desgaste das viagens missionárias (risco de doenças, malária na região de Atália, Listra, Icônio, Derbe e montes Tauros, motivo pelo qual João Marcos teria hesitado em ir).
- Traz dois indícios de problema de visão: em Atos 23:2-5 Paulo não reconhece o sumo sacerdote Ananias (“não sabia que era o sumo sacerdote”), e em Gálatas 6:11 menciona escrever com “letras grandes”; encena de novo a cena para reforçar que Paulo enxergava mal (provavelmente muito míope).
- Conclui associando esse sofrimento físico à ação de Satanás (como em Jó, cujo sofrimento atinge a saúde por ação satânica), sem que seja necessariamente possessão direta, e destaca que Paulo manteve o ministério apesar da fragilidade.