a tese
O apresentador do MythVision (Derek Lambert) responde às 20+ horas de vídeos de Joe Schmid sobre milagres católicos atacando não os casos, mas o método: nenhum sinal, por mais verificado, pode certificar quem o enviou, e a própria Bíblia de Schmid diz que Deus patrocina sinais enganosos.
aprofundar
sim
este é o contraponto cético direto ao caso Schmid que o Bruno acompanha, forte em uso de texto bíblico (o argumento de que os "sinais enganosos" habitam justamente a via segura de Deuteronômio 18 merece exame exegético seu).
O que foi dito
- Argumenta que o tamanho da obra de Schmid (25h gravadas, 20h publicadas em três blocos: filosofia, milagres, respostas) é retórica em si, invocando a “lei de Brandolini” (refutar custa uma ordem de grandeza mais que afirmar) e o efeito de verdade ilusória por repetição.
- Ataca a definição de milagre de Schmid (“evento produzido por Deus, naturalisticamente inexplicável”) como petição de princípio: a investigação recebe um relato, não um milagre; “produzido por Deus” e “para certificar Roma” são conclusões empilhadas sobre a evidência, não a evidência.
- Contra o descarte que Schmid faz de Hume: “experiência uniforme” não nega que bilhões relatem milagres, e sim que nenhum relato jamais sobreviveu a verificação controlada; usa Hipócrates sobre a “doença sagrada” (epilepsia) e o placar histórico de mistérios que só migraram da coluna “deus” para a coluna “natureza”, nunca o contrário.
- Rebate os números de Schmid (pesquisa Pew de 200 milhões de cristãos que dizem ter visto curas; 55% de médicos numa pesquisa de 2004) como sociologia do gerador de relatos, não física; cita Boyer, Barrett (detecção de agência) e Loftus (memória reconstrutiva), e o caso Ganesha bebendo leite em 1995 (ação capilar) como enxame de testemunhas sinceras sem milagre.
- Concede que o experimento mental de Schmid (perna amputada que rebrota diante de você, com prontuários e testemunhas) seria evidência boa, e nota que o próprio Hume deixou essa porta aberta; mas observa que em 2000 anos o caso-modelo nunca ocorreu, e que os milagres encolhem à medida que as câmeras se multiplicam (perna regenerada fica em 1640, na Espanha rural; em Fátima o milagre nunca entrou no filme).
- Aponta o núcleo circular: a filosofia (7h) já torna Deus provável antes de qualquer milagre, e Schmid confessa que só achou resposta ao mal e ao ocultamento divino depois de “inundado” pelos milagres; teísmo sustenta os milagres e os milagres resgatam o teísmo, um laço, não fundamento.
- Denuncia o “efeito de seleção” convertido em evidência: Schmid diz que Deus arranjou a Igreja para ter o maior arquivo de milagres, logo o arquivo prova o catolicismo; e o caso jansenista (curas de Saint-Médard, sobrinha de Pascal, que Hume elogiou) mostra evidência forte vinculando um movimento que Roma condenou.
- Vira a chave teológica: a premissa de Schmid (“Deus nunca testemunharia uma mentira”) é contradita por Deuteronômio 13, 1Reis 22 (espírito mentiroso enviado por Yahweh), Ezequiel 14:9, Mateus 7 e 24, 2Coríntios 11, 2Tessalonicenses 2; conclui com uma escada de cinco degraus (aconteceu? sem causa natural? evidência positiva de causa sobrenatural? era o Deus cristão? endossava Roma?) que anuncia aplicar caso a caso na série.