a tese
Yago Martins argumenta que Erasmo de Roterdã, católico que nunca aderiu à Reforma e brigou com Lutero, foi mesmo assim decisivo para ela ao fornecer o instrumental humanista (retorno às fontes, Novo Testamento grego, crítica textual) que os reformadores usaram.
aprofundar
talvez
Boa síntese histórica e cristocêntrica do humanismo cristão, mas é divulgação num formato de vlog de viagem; para o Bruno vale mais como panorama e gancho sobre livre-arbítrio (tema molinista dele) do que como conteúdo exegético novo.
O que foi dito
- O vídeo é um “Teologia na Estrada” gravado na Basileia (Suíça), na cidade e nas ruas onde Erasmo morreu em 1536, alternando narração histórica com cenas turísticas do autor pela cidade em obras.
- Yago percorre a catedral da Basileia, católica desde 1019, que após a onda iconoclasta de 1529 (altares e imagens queimados em praça pública) tornou-se templo protestante; Erasmo teve de deixar a cidade quando ela virou reformada e só voltou em 1535 para acompanhar a impressão de suas obras.
- Mostra o antigo centro editorial de Froben, onde Johannes Froben imprimiu em 1516 a edição greco-latina do Novo Testamento preparada por Erasmo, que permitiu comparar o original com a Vulgata e expor traduções imprecisas.
- Sustenta que o princípio humanista do ad fontes (retorno às fontes bíblicas, às línguas originais e ao pensamento patrístico) alimentou diretamente a Reforma; Lutero usou o texto de Erasmo em sua tradução alemã, e Zwínglio e outros também o aproveitaram.
- Comenta o “Elogio da Loucura”, escrito por diversão e dedicado a Thomas More (jogo com “moría”, loucura em grego), como sátira que denunciou a corrupção do clero e tornou plausível a ideia de que a Igreja precisava de reforma.
- Registra a ruptura com Lutero em 1524 no debate sobre o livre-arbítrio: Erasmo defendeu que a vontade, auxiliada pela graça, conserva alguma capacidade de responder a Deus (“De libero arbitrio”), e Lutero respondeu em 1525 com “Do servo arbítrio”, afirmando dependência total da graça.
- Nota que Lutero reconheceu que Erasmo identificou o ponto decisivo da Reforma (não as indulgências ou cerimônias, mas se o homem participa da própria salvação), citando o dito de que “Erasmo pôs o ovo que Lutero chocou”.
- Faz um apelo pessoal a ler e se deixar influenciar por quem se discorda, tomando Lutero lendo o adversário Erasmo como modelo de crescimento intelectual pela divergência.
- Fecha descrevendo o túmulo de Erasmo na catedral, com o emblema do deus Término e o lema “concedo nulli” (não cedo a ninguém), e o fato de o funeral do católico ter sido presidido pelo reformado Oswald Myconius.