a tese
Depois da retratação do relatório "Quiet Revival" da Bible Society, Justin Brierley faz autocrítica pública e apresenta dez indícios independentes de que o renascimento da crença em Deus no Ocidente continua real, ainda que a palavra avivamento nunca tenha sido adequada.
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É o melhor inventário disponível do debate sobre o suposto renascimento religioso no Ocidente, e vale sobretudo pelo método: Brierley expõe o erro que cometeu, dá espaço aos críticos (Voas, Burge) e separa evidência de desejo; a parte sobre Joe Schmid conecta com o caso que já está sendo acompanhado.
O que foi dito
- A primeira metade é o acerto de contas: a YouGov admitiu que não ativou os filtros de qualidade do painel na pesquisa de 2024 (contra respostas duplicadas, de outro país ou apressadas) e não detectou a falha nem quando a equipe da Bible Society pediu verificação, o que obrigou a retirar o relatório.
- Brierley reconhece que baseou boa parte das próprias palestras e episódios de 2025 nesses números (frequência de jovens da geração Z saltando de 4 por cento em 2018 para 16 por cento em 2024) porque eles confirmavam o que ele já ouvia anedoticamente, e assume ter comido “uma boa porção de humilde pastel”.
- Ele dá voz aos críticos vindicados: o sociólogo David Voas, que dizia que os números não batiam com a frequência real das igrejas e que o dado dominante é “quiet quitting, não quiet revival”, o jornalista Tim Wyatt, Damian Thompson e Lauren Jackson, do New York Times, que aponta a ânsia evangélica por dados que confirmem a impressão.
- Indício 1, França: mais de 10.300 batismos adultos católicos em 2025 e cerca de 21.000 na vigília pascal de 2026, maioria entre 18 e 25 anos vinda de famílias não praticantes, com a ressalva honesta de que isso não reverte o declínio geral e reflete em parte a queda do batismo infantil.
- Indícios 2 e 3, Reino Unido e Escandinávia: alta de conversões católicas e ortodoxas, crescimento batista (57 por cento das igrejas com crescimento líquido entre 2022 e 2024 e o maior número de batismos em uma década), quinto ano consecutivo de crescimento da Igreja da Inglaterra, e recorde de 18.783 adesões voluntárias à Igreja da Suécia; um entrevistado chama isso de reencantamento.
- Indício 4, Estados Unidos, é apresentado com o contraditório dentro: Ryan Burge sustenta que “a matemática não fecha”, que cada geração é menos religiosa que a anterior e que a pergunta sobre importância da religião é “pergunta de vibe”, ainda que os sem-religião tenham caído três anos seguidos e a importância da religião entre homens jovens tenha subido de 28 para 42 por cento no Gallup.
- Indícios 5 e 6 são comerciais: as vendas de Bíblias no Reino Unido dobraram de 2,69 para mais de 6,3 milhões de libras entre 2019 e 2025, num mercado livreiro estagnado, e o streaming de música cristã cresceu 60 por cento em quatro anos, com Forrest Frank chegando a artista número um do YouTube Music.
- Indícios 7 a 9: pesquisas mostrando a geração Z com metade da probabilidade de ateísmo dos pais e crença em Deus subindo de 16 para 37 por cento entre jovens de 18 a 24 anos; a fé aberta de jogadores da Premier League (Bukayo Saka e os “Bible Brothers” do Arsenal, Eberechi Eze); e o curso Alpha, com 2,8 milhões de participantes em 2025, 30 por cento a mais que no ano anterior, e o comentário de Nicky Gumbel de que ninguém mais aparece citando Dawkins.
- O indício 10 é o das histórias: Louise Perry, que aceitava o cristianismo como “sociologicamente verdadeiro” e converteu-se, Charles Murray e seu livro “Taking Religion Seriously”, o comediante Theo Von lendo João 5, e Joe Schmid, do Majesty of Reason, anunciando a conversão ao catolicismo, caso que o Bruno já acompanha em dossiê próprio.
- A entrevista final, com Ben Polson, campeão australiano de Ninja Warrior e ateu leitor de Dawkins, dá o retrato do fenômeno: pânico existencial vindo do materialismo reducionista, Jordan Peterson e Jonathan Pageau como ponte, decisão de “viver as perguntas” indo a um culto, choro na oração de um desconhecido, e dois anos depois uma fé que ele descreve como algo que ora ferve, ora escapa.