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radar · Filosofia & teologia

Ep. 203 Eucharistic Vindicatory Miracles with Stacy Trasancos

a tese

R. T. Mullins entrevista Stacy Trasancos, química de formação (ex-DuPont, com publicação na Science), mestra em teologia dogmática e em filosofia e doutoranda tomista, que, sendo católica devota, sustenta que os chamados "milagres vindicatórios" eucarísticos não têm dado científico que os sustente e que o uso apologético deles contraria as próprias normas do Vaticano de 2024.

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e com prioridade, porque entra direto no caso Schmid que o radar já acompanha: é uma católica praticante, com competência técnica real, desmontando a peça de evidência que a conversão dele destacou, e apoiada nas normas oficiais de 2024, não em polêmica protestante.

O que foi dito

  • Mullins abre dizendo que a internet está em polvorosa com os milagres eucarísticos e que o excesso de confiança nessas histórias o surpreendeu, e pede à convidada que exponha as próprias credenciais porque sabe que o episódio será ouvido com raiva por apologistas católicos de internet dispostos a descartá-la como católica liberal.
  • Trasancos define o termo em disputa: “milagre vindicatório” é definição criada por apologistas (sinal que autenticaria uma doutrina especificamente católica), não linguagem da Igreja, que fala em “alegados fenômenos sobrenaturais”, e os casos invocados são Fátima, Lourdes, Lanciano e Buenos Aires.
  • Explica as normas do Dicastério para a Doutrina da Fé de 2024: a Igreja deixou de declarar eventos como sobrenaturais (antes cabia ao bispo local, o que gerava reversões entre bispos sucessivos e confusão entre os fiéis) e o máximo que concede agora é o nihil obstat, “nada impede”, que autoriza devoção sem impor crença; as normas trazem linguagem forte mandando os bispos vigiarem abusos, entre eles lucro pessoal e divisão sectária.
  • Identifica exatamente esse abuso na retórica corrente de que seria “imprudente” não crer nesses milagres, fórmula que comunica obrigatoriedade enquanto nega tê-la dito, e relata ter conversado com pessoas que abandonaram a fé por causa dessa pressão.
  • Conta a gênese do próprio trabalho: recusou o pedido do bispo para dar palestras sobre milagres eucarísticos, cedeu por insistência do marido, deu vinte palestras repetindo as narrativas, e ao ser convidada a escrever a parte científica do livro “Behold It Is I” (Tan Books, com o padre George Elliott), não conseguiu passar de três dos dez casos que pretendia cobrir, tudo beco sem saída e contradição; escreveu que os dados são inconclusivos e o bispo e a editora a apoiaram, com o argumento de que a presença real não depende desses milagres.
  • Descreve o caso de Buenos Aires de 1996 (hóstia dissolvida em água segundo a norma, substância vermelha, três anos num tubo de ensaio antes de o então arcebispo Bergoglio autorizar a investigação) e as quatro alegações: tecido cardíaco, tecido ainda vivo, sinais de sofrimento, e DNA de origem divina por ausência de contribuição paterna.
  • Detalha os testes e o que eles de fato mostraram: o teste de ortotoluidina, que busca material biológico, deu negativo; o Quantiblot, que detecta DNA de primata a partir de 0,15 nanograma, não registrou nada; e o PCR com marcadores STR voltou com “NR”, sem resultado, em todos os loci humanos, tendo o laboratório apenas notado DNA de alto peso molecular de origem não humana, compatível com trigo, bactérias ou fungos. Kelly Kearse fez o controle com hóstias não consagradas nas mesmas condições e encontrou DNA bacteriano e fúngico abundante.
  • O ponto lógico central: a ausência total de DNA humano foi convertida pelos investigadores em prova do milagre, já que Jesus não teria pai biológico, inversão que Trasancos considera insustentável, e que ela contrapõe ao padrão ordinário de publicação científica (procedimento completo, múltiplas técnicas convergentes, controles, cadeia de custódia), nada do qual foi oferecido.
  • Sobre o vídeo do legista Frederick Zugibe declarando ao microscópio que o tecido é do ventrículo esquerdo e estava vivo, aponta que a edição é pesada e que as imagens exibidas como sendo o que ele via não eram do microscópio dele; relata, marcando como testemunho indireto, que a filha de Zugibe lhe disse que a família se sentiu explorada, que ele se incomodou com a falta de cadeia de custódia e que as lâminas pareciam material didático de biologia. Ela encerra cobrando publicamente os investigadores, que seguem vivos e não respondem.
  • Mullins e Trasancos convergem na conclusão pastoral: a investigação não abalou a fé dela porque a fé nunca esteve ancorada nesses fenômenos, e sim na Escritura e na tradição; ela adverte que quem funda a fé em pequenos milagres entra em crise quando pede um e ele não vem, e recomenda ler as normas de 2024 no original em vez de aceitar a autoridade de qualquer divulgador. Cita ainda Stanley Jaki, padre e físico, que já propunha explicação natural para Fátima, e indica o Substack Skeptasmic, de Carrie, que respondeu aos dezoito minutos dedicados a Buenos Aires no vídeo de conversão de Joe Schmid.

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