a tese
No "Pergunte ao Pastor", Yago Martins responde perguntas de membros e sustenta que a autoria joanina tradicional, a sola scriptura e um calvinismo de decreto anterior à queda resistem melhor às objeções do que as alternativas, defendendo ainda que o bacharel em teologia se faça dentro da própria tradição e que a exposição ao contraditório fique para a pós-graduação.
aprofundar
talvez
o trecho contra o molinismo toca direto o teu TCC, mas o argumento dele (se poderemos não pecar na nova terra, Deus poderia ter criado assim desde o início) ignora a distinção entre mundos possíveis e mundos factíveis, e pede resposta curta, não estudo.
O que foi dito
- Rejeita a tese de que o discípulo amado seria Lázaro, que atribui a Ben Witherington III, alegando que o testemunho patrístico já identifica João em Irineu, no século II, e que ser amado por Jesus não distingue Lázaro de Marta e Maria em João 11.
- Descarta também a hipótese da comunidade joanina como “invenção de liberal”, sem base histórica nem lexical, e comenta de passagem Hebreus como carta de alguém do círculo paulino, admitindo a hipótese de um original hebraico ou aramaico traduzido ao grego.
- Sobre escatologia, assume milênio literal de mil anos na terra, com nascimentos durante o período e Satanás solto ao final, e se declara “pré-ira”, variação do pré-tribulacionismo em que o arrebatamento antecede o derramamento da ira e não a tribulação inteira; indica a imersão em Apocalipse de Guilherme Nunes porque não há livro em português defendendo a posição.
- Admite que evita declarações cabais sobre escatologia por medo de ter de se retratar, e remete às próprias pregações verso a verso em Apocalipse, na Igreja Batista Manaim.
- Nega que a sola scriptura tenha qualquer ponto fraco, fundando-a na suficiência afirmada por Paulo a Timóteo e na inclusão de textos do Novo Testamento sob o termo “escritura” por Paulo e por Pedro; diz que os argumentos católicos são pueris e que a objeção séria é hermenêutica, vinda de Gadamer e Derrida, respondida por Kevin Vanhoozer em “Há um Significado Neste Texto?”.
- Em Gênesis 3:15 lê a semente da mulher como singular messiânico e prefere entender a semente da serpente como continuidade metafórica do próprio Satanás, que reaparece como dragão no Apocalipse, em vez de identificá-la com os demônios ou com os “filhos do diabo” de João 8 e 1 João 3.
- Aconselha o calvinista a cursar o bacharel na própria tradição, porque bacharel é catequético e o aluno sem bagagem tende a absorver a teologia do seminário, mas diz que fazer bacharel arminiano, sendo o único presencial, é aceitável se os professores forem sérios.
- Conta que escolheu o Fuller Theological Seminary para o doutorado justamente para ser confrontado, com a segurança de um orientador conservador, e afirma ter pouco gosto por sala em que todos se aplaudem.
- No debate supralapsarianismo contra infralapsarianismo, afirma que a queda estava no plano eterno e que a resposta arminiana e molinista falha por uma razão simples: se na nova terra não poderemos pecar, Deus poderia ter nos criado já nesse estado, logo o mundo com pecado não era inevitável; classifica o teísmo aberto como heresia.
- Recusa aconselhar um caso pessoal de acusação falsa dentro da família, diz que a internet serve para saber teórico e não para aconselhamento, e, citando Olavo de Carvalho, sustenta que honrar pai e mãe não dá aos pais o direito de destruir o filho: perdão sempre, relação restaurada só onde houver arrependimento.