a tese
Emily McCrae, professora de filosofia budista, faz uma introdução ampla ao budismo (ética, quatro nobres verdades, vacuidade, nirvana) e refuta a leitura popular, atribuída a um pastor de jovens cristão, de que o budismo tem a aniquilação como meta.
aprofundar
sim
é uma introdução limpa e honesta ao budismo por especialista, e o contraste sobre desejo e impermanência entre budismo e cristianismo é material rico para filosofia da religião e apologética comparada.
O que foi dito
- Conversa longa (~82 min) no canal de Miles Donahue, que foi aluno de McCrae; ela é especialista em filosofia budista indo-tibetana e ética, com trabalho sobre ignorância moral.
- Distingue como o Ocidente (Aristóteles, filosofia analítica) trata a ignorância pela ótica de culpa/desculpa, do foco budista na psicologia da ignorância (sobre o sofrimento, o self, a causação).
- Sustenta que a ética budista não encaixa nas categorias analíticas (virtude; consequencialismo de Charles Goodman; fenomenologia moral de Jay Garfield) e enfatiza cultivo do agente, práticas e “meios hábeis” (upaya).
- Afirma que o budismo é religião, não só filosofia (tem ritual e devoção); a impressão de “não-religião” vem da ausência de um Deus criador e da postura pró-ciência do Dalai Lama.
- Mapeia as escolas: Theravada (libertação pessoal) e Mahayana (o bodhisattva e a vacuidade de Nagarjuna), além do Vajrayana tântrico, do Chan/Zen e da noção de natureza-búdica.
- Explica a vacuidade (sunyata): não-self, agregados impermanentes, Nagarjuna via negativa, nada existe intrinsecamente, só convencional e dependentemente.
- Apresenta as quatro nobres verdades como diagnóstico experiencial (dukkha; causa no desejo, aversão e ignorância, os “três venenos”; cessação possível; caminho óctuplo).
- Trata o nirvana como definido negativamente (incondicionado, cessação do samsara); cita Nagarjuna (samsara e nirvana não distintos) e o entende como modo de estar no mundo, não recompensa pós-morte.
- Refuta a acusação de “aniquilação”: os budistas se dizem via média entre absolutismo e niilismo; não se perde um self que nunca existiu, só a ilusão.
- No fecho, Donahue propõe o contraste com o cristianismo (mesma raiz na impermanência, soluções opostas: o budista extingue o desejo, o cristão o reorienta a Deus), e McCrae ressalva que há desejos não-egocêntricos aceitáveis (Shantideva).