Quinta aula da série sobre as últimas coisas na classe Defenders: William Lane Craig expõe com simpatia a leitura preterista do Discurso do Monte das Oliveiras, segundo a qual a vinda do Filho do Homem já ocorreu em 70 d.C., e conclui que, apesar da força exegética, ela fracassa pelo mesmo motivo que a leitura do arrebatamento, ao acabar postulando vindas múltiplas de Cristo.
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é exposição limpa e honesta de uma posição que ele mesmo rejeita, com os textos na mesa (Marcos 13, Daniel 7, Isaías 13, Ezequiel 32, Atos 2 e Joel) e com Wright como interlocutor principal; o gancho é a objeção final, porque a acusação de "vinda invisível" é exatamente onde o preterista responderia que a entronização não é uma vinda no sentido em que Craig precisa, e vale conferir se ele sustenta isso na parte 6.
O que foi dito
- Situa a aula na sequência: depois de examinar a chamada visão do arrebatamento e apontar suas deficiências bíblicas, passa à segunda interpretação que também admite múltiplas vindas, o preterismo, cujo nome ele explica pelo tempo verbal pretérito.
- Atribui a posição a G. B. Caird, ao falecido R. T. France e, hoje, sobretudo a N. T. Wright, tratando todos como neotestamentaristas sérios e respeitados.
- Resume a tese: as predições do Discurso do Monte das Oliveiras não são eventos de fim dos tempos, mas se cumpriram na destruição de Jerusalém pelas legiões romanas, e a grande tribulação é o horror do cerco romano, com o canibalismo descrito por Josefo.
- Trata Marcos 13.24-27 (sol escurecido, lua sem brilho, estrelas caindo, Filho do Homem vindo nas nuvens) como imagética apocalíptica judaica, não descrição astronômica literal.
- Sustenta a leitura com paralelos veterotestamentários: Isaías 13.10, dentro de um oráculo contra Babilônia, e Ezequiel 32.7, dentro de uma profecia contra o Faraó, ambos usando linguagem astronômica para o juízo divino sobre nações.
- Fecha o argumento com Atos 2.16-20: Pedro cita Joel (sol em trevas, lua em sangue) como cumprido em Pentecostes, onde nada disso ocorreu literalmente, o que mostra o uso convencional da imagética para eventos historicamente decisivos.
- Recorre a Daniel 7.13-14 para o ponto central: ali o Filho do Homem vem com as nuvens até o Ancião de Dias e é apresentado diante dele, ou seja, o movimento é em direção ao trono celeste, não à terra, de modo que a vinda predita em Marcos 13 seria a entronização de Cristo no céu.
- Interpreta a reunião dos eleitos dos quatro ventos como linguagem simbólica da pregação mundial do evangelho e da colheita das nações para o reino.
- Identifica o motor real da posição, que segundo ele ninguém explicita: Marcos 13.30 (“esta geração não passará até que todas estas coisas aconteçam”), e o preterismo resolve o problema do atraso da parusia afirmando que tudo se cumpriu dentro da vida dos ouvintes, sem contorcionismo exegético.
- Reconhece a atratividade inicial dessa solução, mas declara não estar persuadido: como a visão do arrebatamento, o preterismo termina tendo de postular uma vinda invisível do Filho do Homem anterior à vinda final e visível para estabelecer o reino, e a próxima aula desenvolverá por que isso é problemático.