a tese
Kevin Harris e William Lane Craig analisam clipes de um youtuber ("Jay") que acusa Frank Turek de fugir da pergunta de uma estudante ateia ("se Deus é perfeito, por que criou seres imperfeitos?"), e Craig sustenta que a pergunta não é sutil, é confusa, porque embaralha possibilidade lógica, viabilidade e onipotência.
aprofundar
sim
porque é o vocabulário exato do TCC dele (possibilidade lógica versus factibilidade, depravação transmundana, onipotência) aplicado a um caso popular, e a distinção "possível mas não factível" rende comparação direta com o modo como Rowe e os críticos formulam a objeção.
O que foi dito
- Craig elogia o tom do crítico e responde primeiro à versão simples da pergunta: Deus criou seres imperfeitos para que experimentem o bem incomensurável de conhecê-lo e ao seu amor para sempre.
- Identifica a cláusula suprimida da pergunta (“imperfeitos em vez de perfeitos”) e responde com o argumento metafísico: só Deus é um ser perfeito e Deus não pode ser criado, logo todo ser criado é necessariamente imperfeito, o que não significa moralmente mau (Adão e Eva foram criados sem pecado, inocentes, não perfeitos).
- Corrige a formulação de que o problema seria um mundo onde pecado e sofrimento são possíveis: não há problema algum em possibilidades não atualizadas, o problema real é por que Deus criou um mundo em que essas coisas são atuais.
- A resposta a essa versão é o núcleo molinista: pode não haver nenhum mundo factível (feasible) para Deus em que todos livremente vivam sem pecado, o que Alvin Plantinga chamou de depravação transmundana, de modo que criar pessoas livres implica aceitar que algumas pequem e talvez o rejeitem para sempre.
- Desmonta o preâmbulo da estudante (“Deus tem poder para alterar as leis do universo e da lógica”): quase nenhum teísta crê nisso, e se Deus pudesse alterar a lógica, poderia fazer o mal existir e não existir, e o próprio problema do mal desapareceria.
- Chama de espantalho a premissa de que pecado e sofrimento seriam necessários para apreciar o bem, dizendo que isso não pertence ao teísmo clássico nem ao cristianismo e que ele não conhece ninguém que sustente tal coisa.
- Comenta a troca em que Turek insiste na distinção entre robô e criatura moral (a capacidade de obedecer ou desobedecer é o que faz Satanás, Adão e Eva serem criaturas morais) e avalia que Turek está correto quando diz que Deus não pode forçar alguém a fazer algo livremente.
- Registra onde a conversa degringola: a estudante fala como se Deus tivesse decretado uma lei segundo a qual é preciso ser imperfeito para ser moral, e como se um mundo de robôs pudesse ser um mundo moral, ao mesmo tempo que concede que ter capacidade de pecar não implica pecar de fato.
- Contra a objeção de Jay (“se Deus fez as regras, ele fez a regra de que liberdade exige poder arruinar tudo, e se não fez, está limitado por algo fora dele”), Craig diagnostica uma concepção equivocada de onipotência e oferece a definição clássica: onipotência é não haver estado de coisas que Deus não possa atualizar por falta de poder nele, e o logicamente incoerente ou metafisicamente impossível é inatualizável em si mesmo, sem infringir a onipotência.
- Fecha isentando Turek: o formato de Q&A ao vivo não permite desenredar na hora uma pergunta que embute quatro perguntas distintas, vantagem que o podcast tem ao poder reouvir os clipes.