a tese
William Lane Craig argumenta que os ditos sobre a vinda do Filho do Homem dentro daquela geração (Marcos 9:1 e 13:30) provavelmente não falavam da parusia em seu contexto original, e que a impressão contrária nasce do arranjo editorial dos evangelistas.
aprofundar
talvez
o eixo do argumento é a leitura do perfeito grego de Marcos 9:1 como "olhar retrospectivo", exatamente o tipo de inferência temporal que o aspecto verbal em Porter desmonta (perfeito como estativo), e isso rende uma nota curta de grego.
O que foi dito
- Retoma a tese da aula anterior: dada a liberdade editorial dos evangelistas, não se pode saber com segurança o contexto original de um dito, e o mesmo dito muda de sentido ao mudar de vizinhança literária.
- Compara Mateus 16:28 (“verão o Filho do Homem vindo em seu reino”) com Marcos 8:38 a 9:1 (“verão que o reino de Deus é vindo com poder”) e sustenta que Marcos usa o perfeito, que olha para o passado, enquanto Mateus parafraseia em chave futura.
- Nota a quebra entre Marcos 8:38 e 9:1, marcada por “e dizia-lhes”, como sinal de que Marcos pode ter anexado ali um dito de contexto desconhecido.
- Propõe que, no contexto mais amplo de Marcos 8:31 em diante (predição da paixão e da ressurreição, repreensão a Pedro), o reino “vindo com poder” pode se referir à ressurreição de Jesus, e não à segunda vinda: depois da Páscoa, Pedro e os outros olhariam para trás e reconheceriam que o reino havia chegado com poder.
- Aplica o mesmo movimento a Marcos 13:30, rastreando a expressão “todas estas coisas” em 13:4, 23 e 29, onde ela cobre a destruição de Jerusalém e os falsos cristos, não a parusia de 13:24 a 27.
- Conclui que o dito original tratava dos eventos anteriores à vinda do Filho do Homem, e que é a vizinhança editorial de 13:24 a 27 que produz a leitura de parusia iminente.
- Usa Marcos 13:32 (“nem o Filho sabe”) como argumento interno: Jesus não poderia datar a própria volta dentro daquela geração e ao mesmo tempo declarar ignorância da hora.
- Faz o paralelo com Mateus 10:23, que o próprio Mateus evidentemente não entendeu como parusia antes do fim da missão dos doze.
- Anuncia que a próxima aula tratará das parábolas sobre a demora da parusia.