a tese
Na décima aula da série sobre as últimas coisas, William Lane Craig enfrenta o problema do atraso da parusia e propõe que as falas de Jesus que parecem prever o retorno dentro da geração dos ouvintes resultam de ambiguidade contextual criada pela liberdade editorial dos evangelistas.
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talvez
A ilustração com Marcos 6, Marcos 13 e Mateus 10 é limpa e serve a quem tem interesse na crítica da redação, mas a proposta de Craig empurra o problema para a liberdade editorial sem resolver o que Jesus disse, e a aula seguinte, sobre Marcos 13.30, é que vale acompanhar.
O que foi dito
- Retoma a aula anterior: há evidência abundante, em Paulo e no próprio Jesus, de que a segunda vinda não era iminente (muita coisa teria de acontecer antes), e ao mesmo tempo ditos desconcertantes que sugerem retorno em vida dos ouvintes.
- Examina a saída preterista, que resolve tudo colocando o cumprimento em 70 d.C., com a destruição de Jerusalém e a vinda do Filho do Homem à sala do trono para receber o reino, e reconhece que a força dessa posição é dissolver o problema, mas repete que já apresentou suas objeções e não a considera leitura plausível do texto.
- Examina a segunda saída, a da profecia revisada, segundo a qual a predição de Jesus era provisória e sujeita a mudança, com dois precedentes veterotestamentários: Jonas 3.4, “ainda 40 dias e Nínive será destruída”, anulada pelo arrependimento da cidade, e 2 Reis 20, em que Isaías anuncia a morte de Ezequias e Deus prolonga sua vida por 15 anos depois da oração do rei.
- Rejeita essa saída porque nos dois casos houve uma mudança que tornou o juízo inadequado (arrependimento, oração), enquanto no caso da parusia nada mudou: os sinais dados por Jesus seguiram ocorrendo como ele previra.
- Propõe então uma terceira posição, que diz não ter nome e batiza de ambiguidade contextual: o sentido de uma frase depende criticamente do contexto em que aparece, e é fato reconhecido entre os estudiosos do Novo Testamento que os evangelistas remanejam ditos de Jesus, que assim parecem mudar de sentido.
- Oferece como caso decisivo a missão dos doze: em Marcos 6.7-13 é uma comissão comum de pregação e cura, anterior à morte de João Batista, sem nada de escatológico.
- Mostra que Mateus 10.5-23, usando Marcos como fonte, segue o relato e então insere nos versículos 16 e seguintes material tirado do discurso do monte das Oliveiras (Marcos 13.9-13), sobre conselhos, sinagogas, governadores, traição entre irmãos e perseverança até o fim, terminando em “não acabareis de percorrer as cidades de Israel até que venha o Filho do Homem”.
- Conclui que o próprio Mateus não podia crer nisso, já que narra o retorno dos discípulos e o restante do ministério, morte e ressurreição de Jesus, de modo que a impressão de predição frustrada nasce do novo contexto; daí a estratégia de agravar o problema em vez de suavizá-lo, e o anúncio de que a próxima aula tratará de Marcos 13.30 e do dito sobre “esta geração”.