William Lane Craig argumenta, na aula 13 da doutrina das últimas coisas do Defenders, que o conjunto das parábolas sobre a demora da parusia mostra que Jesus preparou os discípulos para uma ausência longa, de modo que os dois ditos aparentemente imediatistas ("esta geração não passará" e "alguns dos que aqui estão não provarão a morte") se explicam por ambiguidade de contexto.
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o problema é exatamente o terreno exegético do Bruno (Marcos 9.1 e 13.30, aspecto e referência de "esta geração"), e o movimento de Craig é frágil nos dois pontos em que ele mais aposta, tratar 25.31-46 como parábola sobre a era da Igreja e resolver os ditos difíceis por "ambiguidade contextual" em vez de enfrentá-los.
O que foi dito
- Craig retoma a aula anterior, em que atribuiu a impressão de parusia iminente a “ambiguidade contextual”, e acrescenta o argumento novo: contra dois versículos problemáticos há um desfile de parábolas sobre a demora.
- Primeira peça, Mateus 24.45-51 (paralelo em Lucas 12.35-48): o servo mau é justamente o que diz “meu senhor demora” e passa a bater nos companheiros, o que pressupõe tempo suficiente para a dissolução do servo.
- Segunda, as dez virgens de Mateus 25.1-13: a demora do noivo é elemento estrutural da parábola, todas adormecem, e a lição é vigiar porque não se sabe o dia nem a hora.
- Terceira, os talentos de Mateus 25.14-30: Craig fixa a atenção no “depois de muito tempo” e no detalhe econômico de que o dinheiro poderia render juros no banco, o que só faz sentido com um intervalo longo.
- Quarta, o juízo das nações em Mateus 25.31-46, que ele lê como parábola, não como descrição direta: os envolvidos nunca viram Jesus pessoalmente, e o que se descreve é o ministério da Igreja aos doentes, pobres e presos em gerações futuras.
- Dessa quarta peça Craig tira a afirmação mais forte da aula, que a parábola é “explicitamente contraditória” com a previsão de um retorno dentro da geração dos contemporâneos de Jesus.
- A síntese dele: Jesus declara não saber a hora, ninguém a sabe, e preparou os discípulos repetidamente para uma demora durante a qual o evangelho é pregado a todas as nações e a Igreja ministra aos desvalidos.
- O fecho reafirma a hipótese da ambiguidade contextual na forma mais ousada, que no contexto histórico original Jesus talvez não estivesse falando da segunda vinda nem da vinda do Filho do Homem ao proferir aqueles dois ditos.
- A aula é expositiva e curta (13 minutos), em que a maior parte do tempo é leitura corrida dos textos, com comentário breve ao fim de cada parábola.