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Is The Trinity Biblical? Tom Wright On God's Glory, The Trinity, Church Views And The End Times

a tese

Episódio do Ask NT Wright Anything em que Michael Bird e Tom Wright respondem a três perguntas de ouvintes: como Jesus manifesta a glória de Deus, se vale a pena manter a doutrina da Trindade, e como permanecer fiel sendo minoria escatológica numa igreja dispensacionalista.

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por dois motivos independentes: o argumento de Wright de que as categorias judaicas do primeiro século são mais ricas do que as gregas dos credos é exatamente o tipo de tese que merece resistência informada da sua parte (Calcedônia responde a perguntas que a linguagem sapiencial não responde), e a terceira resposta é o conselho mais aplicável do lote a quem sustenta posição minoritária dentro da própria congregação sem querer virar facção.

O que foi dito

  • Abre com brincadeira geográfica (a glória de Deus se encontra mais na Escócia ou na Inglaterra), com Wright dizendo que ele e a esposa têm lugares que ela chama de “lugares aleluia”, mas ressalvando que o mundo inteiro é a terra santa de Deus.
  • Primeira pergunta, de um ex-testemunha de Jeová, liga a glória e a face de Deus em Êxodo 33, 2Coríntios 4.6 e Apocalipse 22.3-4; Wright responde que não começaria por 2Coríntios 4, denso demais, mas pelo prólogo de João.
  • Desenvolve a glória em João como arco narrativo: o Verbo que armou tenda entre nós, a água em vinho como primeiro sinal que manifestou sua glória (poder de tirar o novo do velho), Lázaro em João 11 (“não te disse que, se cresses, verias a glória de Deus?”), e o clímax na cruz, onde João 13 diz que ele amou os seus até o fim, de modo que a revelação máxima do amor é a revelação máxima da glória, e ela mostra quem Deus sempre foi, não algo acrescentado a ele.
  • Só então volta a 2Coríntios 4, lido sobre a história de Moisés entrando no tabernáculo e saindo com o rosto brilhando, e admite que nesse ponto a análise teológica cede lugar ao espanto, à oração e ao silêncio.
  • Bird acrescenta a estrada de Damasco como pano de fundo: Paulo encontra o Jesus exaltado e nisso encontra a glória do Deus que não divide sua glória com outro, o que o obriga a redefinir simultaneamente quem é Deus e quem é Jesus; Wright emenda que “imagem de Deus” em Colossenses 1 significa as duas coisas, o que revela Deus supremamente e o verdadeiro ser humano.
  • Wright recorre a Irineu (a legenda deturpa o nome), para quem a glória de Deus é o ser humano vivente, e formula a inversão metodológica: Jesus não revelou a glória apesar de ser humano, mas por ser o humano arquetípico, e o Novo Testamento manda olhar primeiro para Jesus e descobrir a partir dele quem Deus é, e não encaixar Jesus numa ideia prévia de Deus.
  • Segunda pergunta propõe uma doutrina intermediária entre trinitarismo e modalismo; Bird provoca dizendo que a matemática não é fácil e que talvez a Bíblia tenha sido corrompida por homoousios, consubstanciação e união hipostática.
  • Wright cita o aforismo do bispo Stephen Neill, que lhe pareceu contraintuitivo e depois decisivo: a cristologia é uma doutrina sobre Deus e a Trindade é uma doutrina sobre Jesus, ou seja, Deus é semelhante a Cristo e nele não há nada de não-crístico (fórmula que atribui a Michael Ramsey), e Jesus não pode ser reduzido a máscara que o Deus único põe e tira.
  • Usa a metáfora musical: não se deve confundir o tom em que a música está com a melodia tocada; o tom do cristianismo primitivo é trinitário, mas o tema executado é a vinda do reino, o reino de Deus na terra como no céu.
  • Faz a crítica de fundo aos credos: Niceno-Constantinopolitano e a definição calcedônica são compreensíveis como resposta aos contemporâneos daqueles séculos, mas por abandonarem as categorias judaicas do primeiro século perdem densidade; filiação remete à realeza davídica (Salmo 2, 2Samuel 7) e o Espírito à coluna de nuvem e fogo conduzindo o povo à terra prometida.
  • Reconstrói a rota judaica para a linguagem trinitária: para falar de Deus agindo no mundo sem cair no politeísmo, os escritores judeus falaram de palavra, espírito, poder, amor e sobretudo sabedoria, metáforas que em Provérbios e na literatura dependente se tornam personificação e depois pessoa, e é nesse ponto que os cristãos veem Jesus, categoria também davídica e salomônica.
  • Bird fecha o argumento pelo custo das alternativas: o modalismo não sobrevive ao batismo de Jesus sem ventriloquismo divino, o triteísmo colide com o monoteísmo, e a rota unitarista torna a fórmula batismal da Grande Comissão sem sentido; Wright concorda que, se a Trindade é incoerente, as alternativas são mais incoerentes ainda.
  • Terceira pergunta, de um ouvinte do Cinturão da Bíblia que adotou leitura preterista ou histórica da profecia e ficou isolado, com sogro pregador que chama isso de heresia; Wright responde em duas frentes.
  • Frente exegética: o problema não é a Bíblia, mas um modo de lê-la, e ele aponta a Bíblia de Referência Scofield, de pouco mais de cem anos e publicada, ironicamente, pela Oxford University Press; discordar da leitura de 1Tessalonicenses 4 sobre o arrebatamento não faz de ninguém liberal, e remete a Surpreendido pela Esperança e a God’s Homecoming.
  • Frente sociológica e pastoral: orar e lamentar, procurar as poucas vozes semelhantes na vizinhança (que costumam ser mais numerosas do que se imagina), pesar o risco de parecer grupo dissidente numa cidade pequena, e resistir à arrogância do “nós que entendemos” contra a ralé que ouve bobagem; lembra que o mesmo dilema aparece em quem redescobre algo dentro de catolicismo, ortodoxia ou anglicanismo rotinizados, e conclui que só se deve confrontar depois de conhecer, amar e ser amado pelos vizinhos, porque de outro modo o que se comunica é arrogância.
  • Bird resume: não se muda a cabeça de ninguém a deboche.

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