a tese
O convidado (não nomeado na legenda, autor da monografia "The Revelation of the Messiah") sustenta que o prefácio de Lucas não registra uma entrevista com Maria, mas que Lucas 2.19 e 2.51, lidos contra Daniel 7.28, apresentam Maria como fonte última da narrativa da infância.
aprofundar
sim
está no centro do seu território (Lucas, intertextualidade com Daniel, pergunta de fonte). Para checar no grego: Lucas 2.19 traz συνετήρει no imperfeito, com τὰ ῥήματα e ἐν τῇ καρδίᾳ, e vale conferir se Daniel 7.28 em Teodocião usa συντηρέω ou διατηρέω, porque a força do paralelo verbal depende disso.
O que foi dito
- Parte da frase que ouve com frequência, “leia o prefácio de Lucas, ele entrevistou Maria”, para dizer que não está convencido de que o texto afirme isso.
- Descreve Lucas 1.1-4 como aviso de fontes e de propósito típico da biografia antiga, creditando o relato a testemunhas oculares e servos da palavra.
- Observa o detalhe decisivo de posição: o aviso de fontes vem antes da narrativa da infância, e em qualquer outra biografia antiga (cita paralelos em Fílon, Plutarco e Suetônio) ficaria claro que as alegações cobrem também o material que vem a seguir, embora a crítica dispute isso em Lucas.
- Responde à objeção de que a narrativa da infância é inserção posterior, dado o estilo distinto que ecoa o grego da tradução da Bíblia hebraica, separando duas hipóteses: posterior pelo mesmo autor, ou posterior por outro autor.
- Descarta a autoria diferente invocando a contribuição da era de “Birth of the Messiah”, de Raymond Brown: as narrativas de Mateus e de Lucas são integradas ao programa teológico de cada autor, e derrubar isso exigiria muito.
- Sobre a inserção tardia pelo próprio Lucas, nota que não vê como se testaria a hipótese, e que o fato de o texto fluir bem pulando de 1.4 para o capítulo 3 não estabelece nada.
- Alega ter mostrado na primeira monografia que a cristologia da narrativa da infância encaixa no resto do evangelho, o que o faria estranhar uma inserção lucana posterior.
- Abre duas leituras possíveis de “testemunhas oculares e servos da palavra”: ou são os apóstolos e primeiros cristãos do ministério adulto de Jesus, o que deixaria a infância a um grau de distância, ou ao menos um desses servos esteve presente aos eventos da infância, e aí o candidato óbvio é Maria.
- Localiza o argumento em Lucas 2.19 e 2.51, os dois versos em que Maria guarda as palavras no coração, com o acréscimo de ponderá-las, a que dedicou um capítulo inteiro da monografia.
- Conta que o incômodo inicial foi achar os paralelos dessas fórmulas em literatura revelatória, apocalíptica e nos testamentos, o que não parece modo natural de assinalar uma testemunha ocular, até descobrir que o paralelo verbal mais próximo é Daniel 7.28, o fecho da visão das quatro bestas e do filho do homem, em que Daniel preserva a palavra no coração.
- Acumula outros indícios de Daniel em Lucas 1-2: Gabriel, cujas aparições bíblicas se limitam a Daniel 8 e 9 e a Lucas 1, e a mudez de Zacarias como alusão à mudez de Daniel.
- Fecha com a sequência tirada de Daniel 7 (revelação, preservação no coração, comunicação por escrito depois) e propõe que Maria e Lucas dividem o papel de Daniel: ela preserva, ele escreve, de modo que os versos são mais do que alegação de testemunho ocular, são a indicação da fonte.