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Can church councils be wrong? N.T. Wright on Scripture, creeds and authority

a tese

No "Ask N. T. Wright Anything", Wright responde a três perguntas e a tese que amarra as duas primeiras é a mesma: toda autoridade está em Cristo, a Escritura é a testemunha primária, e credos, concílios e esquemas confessionais são balizas revisáveis, não a substância da fé. Daí ele reafirma sua leitura da justiça de Deus como justiça da aliança, contra a noção medieval de justitia acumulável.

aprofundar

sim

o bloco sobre justiça e aliança é Wright no ponto mais contestável e mais relevante para o Bruno (Gênesis 15.6, Fineias, Tamar, 2 Coríntios 5.21 e a recusa da imputação), e serve bem como material de confronto com a leitura reformada, com a vantagem de ele mesmo indicar onde o argumento completo está.

O que foi dito

  • Mike Bird abre perguntando a qual concílio Wright gostaria de ter assistido, e a resposta dele é Atos 15, com Pedro e Tiago decidindo se gentios convertidos precisam circuncidar-se, questão que ele considera mais importante que as de Niceia e Calcedônia.
  • Bird escolheria o “latrocínio de Éfeso” de 449, com arquidiáconos liderando monges armados de porretes, e Wright emenda com a paródia de hino que ouviu (“a igreja se parece cada dia mais com uma tempestade em copo de chá”) para lamentar a blandura eclesiástica atual.
  • A pergunta de Brendan Liger é sob que condições se pode questionar decisões de concílios ecumênicos. Wright responde que os concílios ao mesmo tempo engajam e não engajam a Escritura, e que nem sempre percebem o que o texto está de fato fazendo quando citam Provérbios 8 em controvérsia cristológica.
  • O argumento estrutural dele é sobre o tipo de autoridade: a conversa com a Escritura continua e empurra para oração, estudo e missão, enquanto a decisão conciliar tende a encerrar a conversa. Os credos funcionam como guias que avisam quando saímos dos trilhos, e ele os recita semanalmente, mas eles não são a substância.
  • A regra de método que ele tira disso é histórica: testar tudo pela Escritura exige habitar mentalmente o primeiro século, em vez de responder a perguntas do sexto século com algumas notas de pé de página bíblicas. Ele aplica a mesma crítica à Confissão de Westminster, cujo esquema teológico se sustenta sozinho com referências anexadas.
  • Luteranos e reformadores entram como exemplo positivo e limitado: era necessário o que Lutero e Calvino fizeram, mas eles próprios diriam “não aceitem nossa palavra, façam vocês mesmos, e melhor”. Bird liga isso ao semper reformanda e ao caso recente de William Lane Craig questionando a geração eterna do Filho, que ambos consideram pergunta legítima mesmo discordando da conclusão.
  • A segunda pergunta, de Daniel em Estocolmo, é afiada: se justiça é sempre lida em termos de aliança, isso difere de dizer simplesmente “fazer o que é certo”? E a tradução “justiça da aliança” não estreitaria o campo semântico?
  • Wright elogia o enquadramento e responde com a imagem de ṣedeq e dikaiosýnē como transatlânticos que recolheram carga em portos diferentes, insistindo que o primeiro passo é remover a justitia medieval, a ideia de um crédito moral acumulado por Cristo e depois imputado, imposto ou infundido.
  • Ele trabalha os casos do ouvinte: Fineias em Números 25 e Salmo 106 recebe a aliança perpétua como algo que Deus inicia e continua, não como justificação por obra, e Judá dizendo que Tamar é “mais justa que eu” em Gênesis 38.26 significa que ela está com a razão no litígio, não que tenha mais estoque de virtude. Ele apoia o quadro em E. P. Sanders, para quem a aliança é pressuposta no judaísmo mesmo quando não nomeada, e remete ao próprio “Paul and the Faithfulness of God”.
  • Em 2 Coríntios 5.21 ele nega a leitura de justiça imputada, apontando que Paulo imediatamente cita o Dêutero-Isaías (“eu te dei como aliança do povo”), de modo que o ministério apostólico é a encarnação da fidelidade de Deus à aliança. Na terceira pergunta, sobre a ascensão, ele corrige o texto de Atos 1.9 (não há menção a céu nem narrativa de trajeto, apenas elevação e nuvem), rejeita os vitrais com pés pendurados, prefere falar em dimensões a falar em andares, e lê a ascensão por Efésios 1, Mateus 28.18 e 1 Coríntios 15.25 como o senhorio presente de quem uniu céu e terra em si mesmo.

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