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Does God Exist? | Michael Huemer vs. Joshua Rasmussen

a tese

Debate de duas horas mediado por Miles Donahue entre Joshua Rasmussen, que sustenta o teísmo como a hipótese que explica o máximo com o mínimo e acrescenta o argumento dedutivo dos limites arbitrários, e Michael Huemer, que aceita boa parte do enquadramento (é dualista, acha implausível o naturalismo tradicional e concede que há evidência de design) mas nega que o criador possa ser infinito, propondo como rivais mais prováveis um criador finito, o multiverso, ou, mais provável ainda, alguma explicação que ninguém pensou.

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é o debate mais limpo que passou pelo radar sobre a arquitetura do argumento de caso cumulativo, e conversa diretamente com a conversão do Joe Schmid publicada hoje (é o mesmo Rasmussen que o tirou do ateísmo, é a mesma forma de argumento); vale para você especialmente a objeção de simetria dos limites arbitrários e a exigência de base categórica para poderes infinitos, que são os dois pontos em que a teologia natural clássica tem de responder e onde a resposta ficou pendente.

O que foi dito

  • Rasmussen abre com a fórmula que resume sua estratégia: o teísmo explica melhor o maior número de coisas, ou seja, eleva a probabilidade de áreas amplas da realidade (existência de consciência, universo compatível com vida, senso de certo e errado) que são individual e coletivamente surpreendentes, e diz seguir o método que converteu Antony Flew, o de ferramentas universais de razão e experiência.
  • Lista os enigmas que quer explicar: por que existe algo em vez de nada (e a circularidade de apelar a alguma existência prévia para explicar a existência), por que existem justamente mentes, organização material, consciência moral distinta da mera sensação de frio e calor, princípios de razão, poder causal da mente sobre a matéria, e o que ele chama de abundância modal da consciência (um argumento matemático seu de que há mais tipos possíveis de estados conscientes do que de estados físicos não conscientes), além da estrutura narrativa que organiza a realidade em enredo, tensão e desenvolvimento.
  • Contrapõe duas teorias: a explosão sem mente, em que o fundamento é partículas sem mente e que, segundo ele, não prediz consciência alguma (cita Alexander Rosenberg, que aceita a consequência e nega que pensamentos existam), e a fundação suprema, em que a realidade fundamental tem natureza máxima, o que já traz em si os recursos da mentalidade e por isso torna esperada a mente, a organização material e a consciência de valor.
  • O argumento dos limites arbitrários vem em duas partes: coisas dependentes, por mais numerosas que sejam, não somam um total independente (analogias do piso todo marrom por mais azulejos marrons que tenha, e dos dominós infinitos que ainda precisam de mesa), logo há realidade fundacional; e, se essa realidade fundacional não tiver natureza suprema, terá parâmetros arbitrários que pedem explicação mais profunda, pelo mesmo princípio que nos faz esperar explicação para tamanho, forma e cor de qualquer pedaço de realidade.
  • Sobre o mal, Rasmussen esboça que o sofrimento acontece dentro de contextos de desenvolvimento de seres conscientes, e que histórias grandes são esperadas a partir de uma fundação suprema e não são preditas pelas teorias rivais.
  • Huemer responde com uma tese metafísica precisa, não com o ateísmo padrão: não há números infinitos, e por isso não pode haver magnitudes não extensivas infinitas. Usa a lâmpada de Thomson, a força irresistível contra o objeto imóvel, a velocidade infinita e a distância infinita como casos em que o diagnóstico correto é a impossibilidade do infinito envolvido, e distingue o que é possível (cardinalidade infinita e magnitude extensiva infinita, como espaço e tempo, analisáveis por quantificação sobre subconjuntos arbitrariamente grandes) do que não é, remetendo ao seu livro Approaching Infinity.
  • A aplicação teológica é direta: onipotência e onisciência tradicionais implicam magnitudes não extensivas infinitas, e um ser de poder ilimitado poderia realizar a lâmpada de Thomson e o paradoxo de Ross-Littlewood, o que ele toma como redução ao absurdo. O ponto mais forte do intercâmbio é a exigência de base categórica: poderes causais precisam de propriedade categórica que os fundamente, e uma capacidade infinita exigiria uma propriedade categórica infinita.
  • Rasmussen concede boa parte disso e tenta reposicionar a discussão: aceita que não há infinitos quantitativos, sugere que a inexauribilidade da fundação seja lida como potencial infinito à moda aristotélica (o universo tem hoje a capacidade real de durar para sempre sem que se atualize um infinito), e propõe distinguir o ser e o estado do ser, de modo que o estado de consciência da realidade fundamental possa ter partes sem que o ser as tenha; Huemer contrapõe a simplicidade divina e a densidade infinita de informação exigida para responder a perguntas que dependem de toda a expansão decimal de pi.
  • A objeção de simetria de Huemer reaparece várias vezes e Rasmussen nunca a desarma inteiramente: se sair de um ponto arbitrário da reta para o ponto máximo, por que o máximo não é igualmente arbitrário? A resposta de Rasmussen é que ser máximo é um modo de ser relevantemente diferente, e não mais um valor na mesma escala, o que Huemer não aceita.
  • Huemer também desarma a analogia da bola azul na floresta com uma distinção que vale registrar: a bola pede explicação porque é um arranjo específico e destrutível de matéria subjacente, e perguntar por que existe algo não é perguntar por um arranjo, é perguntar pela matéria subjacente, para a qual não temos nenhum caso de explicação bem-sucedida; e acrescenta que postular necessidade não explica (dizer que o céu é necessariamente azul não responde por que o céu é azul).
  • No encerramento, Huemer marca as concessões (é dualista, crê em alma imortal, considera totalmente implausível que o Big Bang tenha ocorrido sem razão, e admite que há evidência de design) e localiza a recusa num ponto metodológico: as predições da hipótese do designer são vagas demais, com gente igualmente razoável esperando coisas opostas, e na história da ciência as teorias que se firmaram tinham predições muito mais nítidas. Fecha com a analogia do assassino em série, em que as teodiceias do livre-arbítrio e da boa história soariam inaceitáveis na boca de uma testemunha humana, e com a aposta de que a explicação verdadeira é provavelmente uma que ninguém formulou ainda.
  • Rasmussen aceita explicitamente que um teísmo cético radical, que negue qualquer previsão sobre o que um ser fundamental amoroso faria, destruiria também o argumento do design que ele mesmo usa, e por isso se compromete com um ceticismo apenas moderado.

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