a tese
A inscrição de Pôncio Pilatos achada em Cesareia Marítima (a "Pedra de Pilatos") confirma a historicidade do prefeito da Judeia e desmonta a tese cética de que Pilatos, e por extensão os evangelhos, seriam invenção tardia; a leitura de Marcos 15 mostra que o relato da paixão é historicamente coerente com o cenário político-religioso do primeiro século.
aprofundar
talvez
apologética arqueológica introdutória e correta, abaixo do nível do Bruno, mas Sayão é hebraísta sério e a distinção liderança religiosa versus povo judeu e o ponto praefectus versus procurador rendem conversa.
O que foi dito
- Sayão adota um formato de personagem: encena “Pôncio Pilatos” falando em primeira pessoa com sotaque romano fingido, e depois volta como si mesmo para explicar o achado arqueológico.
- Conta que em 1961 a equipe do arqueólogo italiano Antonio Frova, escavando o teatro de Cesareia Marítima (onde ficava o palácio do prefeito), encontrou uma pedra com o nome de Pilatos, dedicada a Tibério César (imperador de 14 a 37 d.C.), mais anéis com o nome dele.
- Usa o achado para refutar a escola mítica do século XIX, citando nominalmente Bruno Bauer e a matriz hegeliana (tese judaica, antítese greco-romana, síntese tardia) que datava os evangelhos do segundo ou terceiro século como fabricação.
- Reforça a existência de Pilatos com as fontes literárias: Flávio Josefo (Antiguidades e Guerra dos Judeus, incluindo o Testimonium Flavianum) e Tácito (Anais, livro 15, parágrafo 44, escrito por volta de 115-116).
- Nota um ponto historicamente correto ainda que não o explore: a inscrição chama Pilatos de “praefectus” (prefeito), o título de fato usado no período, não “procurador”.
- Lê Marcos 15 (Jesus diante de Pilatos, Barrabás, “rei dos judeus”) e argumenta que o relato não é anacrônico e corresponde à realidade da época.
- Distingue a liderança religiosa de Jerusalém, corrompida e aliada a Roma (aproximando-a das denúncias da comunidade Yahad nos manuscritos do Mar Morto), do povo judeu comum e dos discípulos, todos judeus e simpáticos a Jesus.
- Sustenta que a crucificação é pena romana, não judaica (a pena judaica seria o apedrejamento, como no caso de Estêvão em Atos 6-7), por isso a liderança entrega Jesus a Pilatos sob acusação política de “rei dos judeus”.
- Encerra apelando ao credo antigo (“padeceu sob Pôncio Pilatos”) e ao jargão do canal, com chamadas para inscrição.