a tese
William Lane Craig rejeita o preterismo sobre a segunda vinda, argumentando que a vinda do Filho do Homem prevista por Jesus é o mesmo evento futuro, visível e público que Paulo descreve como a Parousia, e não algo já ocorrido invisivelmente em 70 d.C.
aprofundar
talvez
Aula clara e bem estruturada de exegese sobre escatologia, sem grande novidade para quem já domina o debate preterismo x futurismo, mas o uso do caráter perspectival de "vir" e a crítica ad hoc a Wright podem interessar ao Bruno pela conexão com escatologia e método exegético.
O que foi dito
- Craig retoma a conclusão da aula anterior: apesar da atratividade inicial do preterismo, ele o rejeita porque força uma divisão implausível entre a vinda de Cristo em Paulo e a vinda do Filho do Homem em Jesus.
- Primeiro argumento: “vir” é um verbo perspectival (indica movimento em direção ao lugar do observador), ilustrado por At 1:11 (Jesus voltará do mesmo modo como subiu), logo a vinda do Filho do Homem em Mc 13 é uma vinda visível à Terra.
- Sustenta o caráter público e visível dessa vinda com Mc 13:26 (“verão o Filho do Homem vindo nas nuvens”), Mc 14:61-62 e Ap 1:7 (“todo olho o verá”), contrastando-a com os falsos messias do discurso do Monte das Oliveiras (Mt 24:24-27), cujas vindas são privadas e enganosas, apoiando-se em Robert Gundry.
- Segundo argumento: o Filho do Homem não precisa esperar até 70 d.C. para ser entronizado, pois assume seu reino já na ressurreição e ascensão, o que tornaria absurdo um interregno de 40 anos entre 30/33 e 70 d.C.
- Ancora isso em 1Co 15:23-28 (escrita c. 55 d.C., antes da suposta vinda de 70), onde Paulo já vê Cristo reinando e sujeitando os inimigos, entregando o reino ao Pai só na volta futura, com paralelo em Hb 2:7-9 (“ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele”).
- Conclui que o discurso do Monte das Oliveiras não descreve a entronização do Filho do Homem no trono celeste, mas a vinda gloriosa de Cristo à Terra como rei ressurreto.
- Terceiro argumento (o “calcanhar de Aquiles” do preterismo): a ressurreição dos mortos, que Paulo associa à Parousia e que claramente não ocorreu em 70 d.C., sendo a correspondência tessalonicense (c. 51 d.C.) material dos mais antigos do NT.
- Cita N. T. Wright, que, questionado num congresso, admitiu que a ressurreição dos mortos ainda é futura, o que força o preterista a separar o evento de Paulo do evento do discurso, apesar do vocabulário comum, movimento que Craig considera ad hoc, tal como o dos defensores do arrebatamento secreto.
- Fecha reconhecendo que o preterismo resolveria elegantemente o problema da demora da Parousia, mas o julga implausível, e promete continuar na próxima aula.