a tese
Matheus Fugita e o convidado católico Carlos Alberto reagem ao vídeo em que Joe Schmid anuncia sua conversão ao catolicismo, aceitam a sinceridade da conversão, mas mostram que ela se apoia quase inteiramente em evidência de milagres e que Schmid, como recém-convertido, não tem erudição para o programa apologético gigantesco que anunciou.
aprofundar
talvez
porque o núcleo filosófico (argumento pelos milagres e sua subdeterminação, teísmo clássico e simplicidade divina) interessa direto ao Bruno, mas está diluído em três horas de chat, piadas internas e briga de bolha, e o material sério virá mesmo no vídeo-caso longo que Schmid prometeu.
O que foi dito
- Fugita abre a live dizendo que a bolha não esperava essa conversão, já que Schmid, doutorando em filosofia em Princeton, era um dos agnósticos analíticos mais publicados e mais citados por ateus, e chama Carlos Alberto (católico, luliano) para comentar sem ter visto o vídeo antes.
- Antes do vídeo, o chat puxa uma discussão sobre simplicidade divina, e Carlos nega que exista simplicidade “não absoluta” no escotismo: formalidades são itens ontológicos distintos entre si, mas absolutamente idênticas à essência divina, posição que ele atribui a Mastrius e a John Punch.
- No vídeo, Schmid narra a trajetória: infância católica devota, primeira dúvida na sétima série ao aprender evolução na escola católica, saída provisória via Francis Collins e o Instituto BioLogos e leitura de Gênesis como mito poético, e depois abandono da fé ao pesar a brutalidade do processo evolutivo contra um Deus bom e onipotente.
- Schmid conta que saiu do naturalismo pelo canal Worldview Design de Josh Rasmussen (argumentos de contingência, o livro Necessary Existence escrito com Alexander Pruss), virou agnóstico assentado e, na pós-graduação, passou a ver o teísmo como hipótese unificadora do ajuste fino das constantes, da existência da consciência, do pareamento mente e mundo e do conhecimento moral.
- A virada, segundo o próprio Schmid, foi a evidência de milagres: aparições marianas na igreja copta, Fátima, Lourdes e Zeitoun, curas com documentação médica em processos de canonização, e sobretudo os estigmas, as curas e os fenômenos atribuídos ao padre Pio, que ele lê como vindicando doutrinas especificamente católicas (Imaculada Conceição, rosário, milagres eucarísticos); ele cita uma conversa com Ethan (grafia incerta) como o ponto de virada intelectual, seguida de exame de consciência de uma década e confissão geral.
- Fugita, que é médico e adventista, concede que milagres podem ocorrer em qualquer comunidade cristã pela fé da pessoa, relata casos próprios (um politraumatizado de moto com sepse e choque hemorrágico que voltou a andar e correr, uma viagem missionária de ida e volta com o carro sem gasolina, o suposto maná analisado na Unicamp) e diz que o ponto frágil é conectar milagre a catolicismo, e não a autenticidade dos milagres.
- Sobre a subdeterminação do argumento (pergunta de David Ribeiro no chat), Carlos alega que a Igreja Católica faz curadoria quase forense dos milagres, distingue milagre de operação preternatural do demônio e sustenta que o diabo não faria milagre contra o próprio reino; Fugita lembra os magos de Faraó no Êxodo e conclui que o argumento não é apodítico, ainda que possa ser quase decisivo para quem vive o caso.
- Perguntado sobre suas próprias chances de virar católico, Fugita diz estar distante hoje: admira a estética, a liturgia e a densidade teológica da Igreja, mas trava na infalibilidade papal e na mudança do sábado para o domingo, e afirma que, se não fosse adventista, seria batista pelo congregacionalismo e por rejeitar o calvinismo.
- Os dois criticam o plano anunciado por Schmid de produzir um caso de mais de doze horas pelo catolicismo e depois responder a ateus, protestantes e ortodoxos: Carlos diz que isso exige anos de patrística e de autores da contrarreforma, que como neófito ele deveria ficar quieto e focar no ateísmo, e teme cooptação por movimentos tradicionalistas; Fugita nota o paradoxo de Schmid ter atacado o teísmo clássico e a simplicidade divina no livro escrito com Daniel Linford (inércia existencial, colapso modal) e agora aderir a uma igreja que exige simplicidade absoluta.
- O trecho final mistura deboche com o ateu Mateus Benites, que comentou “are you joking” no vídeo de Schmid, críticas a Marcelo Andrade e Orlando Fedeli, conselhos a um espectador ateu (orar como agnóstico ao modo sugerido por Paul Draper, frequentar uma igreja local) e uma longa digressão sobre Raimundo Lúlio, além da divulgação da imersão paga de Fugita sobre o argumento do ocultamento divino de Schellenberg, com respostas de Swinburne e Rea.