a tese
Luiz Sayão explica a passagem de Mateus 27,52-53 (os santos que ressuscitam na morte de Jesus e aparecem em Jerusalém) como ressurreição real em corpo, mas não glorificado, análoga à de Lázaro, e não como aparição fantasmagórica.
aprofundar
não
é catequese introdutória sólida e correta, sem novidade exegética ou grego que renda sessão do Bruno; o dado de pureza ritual e a moldura dos "sinais" de João são o que há de mais aproveitável.
O que foi dito
- Abre com encenação (saindo “da sepultura”) para tratar do episódio dos mortos que saem dos túmulos na morte de Jesus, relato exclusivo de Mateus.
- Cita Mateus 27,50-54: Jesus entrega o espírito, o véu do santuário se rasga de alto a baixo, a terra treme, as rochas se partem, os sepulcros se abrem e corpos de muitos santos são ressuscitados; o centurião confessa “verdadeiramente este era o Filho de Deus”.
- Lê os prodígios (véu rasgado sozinho, terra tremendo) como sinal de que a morte de Jesus tem desdobramento cósmico, não uma explicação apenas psicológica ou antropológica da impressão dos discípulos.
- Situa a cena na sexta-feira, antes do início do Sabbath na Páscoa, e imagina os ressuscitados voltando para casa e reaparecendo às famílias que preparavam a ceia (matzá, quidush).
- Nota o dado de pureza ritual: o cemitério ficava fora da cidade porque a sabedoria hebraica não mistura morto com vivo (contaminação), por isso o texto frisa que eles “entram na cidade santa”.
- Distingue essa ressurreição da de Jesus: são corpos reais (não fantasmas que a mão atravessa), mas não glorificados, à semelhança de Elias, Eliseu, Lázaro e outros casos bíblicos.
- Afirma que esses ressuscitados voltaram ao estado anterior e tornariam a morrer, como Lázaro, que estava morto havia quatro dias (a tradição supunha o espírito rondando por até três dias).
- Contrasta com o corpo glorificado de Cristo, primícias de 1Coríntios 15: incorruptível, que atravessa portas fechadas (fim de João) e ao mesmo tempo come (Lucas), prova concreta contra a tese do fantasma.
- Ancora tudo na ressurreição como esperança central da tradição cristã e monoteísta; João 11 (“Eu sou a ressurreição e a vida”) entra como chave do sétimo sinal do Evangelho.