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“I Want Nothing to Do With Intelligent Design” | Cambridge Evolutionary Biologist on God & Evolution

a tese

O paleobiólogo de Cambridge Simon Conway Morris e o pesquisador Sam McKee (grafia incerta) defendem que o cristão não deve buscar ciência na Bíblia nem apelar ao Design Inteligente, porque a própria evolução, lida pela ótica da evolução convergente, já mostra uma natureza fortemente restringida em suas possibilidades. Conway Morris rejeita o concordismo e o DI como becos sem saída que empobrecem tanto o cientista quanto o teólogo.

aprofundar

talvez

porque a tese da convergência interessa ao Bruno como alternativa não apologética ao Design Inteligente e a conversa toca em Gênesis, patrística e imagem de Deus, mas os pontos teológicos ficam em nível introdutório e nada é tratado com rigor exegético ou filosófico sustentado.

O que foi dito

  • Conway Morris conta uma trajetória de fé “excepcionalmente banal”, de formação nominal escocesa/londrina até um fascínio intelectual despertado nos vinte anos por C. S. Lewis e pelos Inklings, e insiste que fala como cientista, não como filósofo ou teólogo.
  • Sam McKee relata origem pentecostal carismática, abandono da fé na adolescência, anos de ministério com jovens, e um episódio de cerca de trinta ou quarenta segundos diante do microscópio, observando algas vermelhas e verdes em Cambridge, com sensação física intensa e a convicção de que Deus sabia quem ele era, comparado por ele a Blaise Pascal.
  • Conway Morris recusa a palavra “reconciliação” para Gênesis e ciência: não é concordista, a ciência é sempre provisória, e os relatos de criação são poesia escrita numa sociedade radicalmente estranha à nossa, que retrabalhou narrativas mesopotâmicas anteriores em vez de antecipar cosmologia moderna.
  • McKee reforça que não há ciência alguma na Bíblia (os textos apontados são poesia, canto ou profecia, em Gênesis, Salmos, Jó e Isaías) e cita Fílon, Josefo, Orígenes, Jerônimo, Agostinho (De Genesi ad litteram, além do argumento do sol criado no quarto dia) e Tomás de Aquino para mostrar que o criacionismo de terra jovem é invenção moderna; usa também o alerta agostiniano de que o descrédito do cristão em coisas da natureza compromete seu testemunho sobre a ressurreição.
  • Sobre a explosão cambriana (cerca de 600 a 500 milhões de anos), Conway Morris a descreve como parte normal do estudo da evolução, com os corpos moles do folhelho de Burgess, da Groenlândia e da China, precedidos pelos ediacaranos, e explicações por oxigênio e química oceânica; diz que os animais “bizarros” que ele mesmo estudou acabaram voltando para casa numa filogenia coerente, e que o Design Inteligente lhe causa “sofrimento” e ele não recomendaria a ninguém.
  • A evolução convergente é apresentada com o olho de câmera do polvo e o humano (retina por invaginação da pele contra evolução a partir do cérebro), a anidrase carbônica surgida independentemente de três a oito vezes, e as convergências genéticas da ecolocalização em morcegos e baleias; a conclusão é que o número de soluções biológicas viáveis é fração ínfima do espaço possível, o que sugere níveis mais profundos de organização, sem implicar teleologia.
  • Conway Morris situa o debate historicamente citando St. George Mivart, crítico católico de Darwin que já usara o olho do polvo, e recusa a leitura de que convergência reintroduza propósito aristotélico-tomista na ciência; para ele Aquino diria apenas que um mundo maravilhosamente formado é ainda mais maravilhoso por ser inteligível, e forçar ciência e metafísica uma sobre a outra empobrece as duas.
  • Sobre o sofrimento animal, Conway Morris chama o problema de intratável, menciona C. S. Lewis e Stephen R. L. Clark, e observa que só humanos identificam animais como sofredores; McKee argumenta que a dor física é resposta ao estresse presente até em células isoladas, cita Stephen Law e o deus malevolente, e propõe que na natureza “nada se desperdiça”, com morte virando vida e nichos sempre preenchidos, algo que ele lê como análogo à ressurreição.
  • Na distintividade humana, Conway Morris aceita sem controvérsia a descendência de primatas, mas insiste em “realidades ortogonais” (matemática, com a efetividade irrazoável de Eugene Wigner, música, linguagem, racionalidade), nega que corvos usem causalidade real nos experimentos da pedra no tubo, e situa o surgimento do senso espiritual como processo gradual desde uns 500 mil anos atrás, com o ocre e os ornamentos de 120 mil anos; McKee acrescenta neandertais e denisovanos, enterros e arte rupestre, como sinais do “reaching up” de que Lewis falava, e identifica a imagem de Deus com a capacidade de relação, não com um ato instantâneo.
  • No fecho, Conway Morris arrisca que convergência implicaria vida extraterrestre parecida com a daqui, invoca o paradoxo de Fermi, considera a questão teologicamente neutra e recomenda Perelandra, The Sparrow e A Case of Conscience; McKee se declara futurista e otimista tecnológico, critica o apocalipsismo dos cristãos e pede o resgate da visão fundacional da Royal Society, enquanto Conway Morris responde com poesia, caminhada longa e música ouvida a sério, além de Aquela Fortaleza Medonha como leitura urgente.

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