a tese
Em entrevista a um canal alemão, William Lane Craig defende sua hipótese de que Adão e Eva foram pessoas históricas reais, mas viveram cerca de 750 mil anos atrás, na espécie Homo heidelbergensis, o que reconciliaria um casal fundador único da humanidade com a genética populacional.
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É o próprio Craig defendendo em detalhe o modelo do Adão histórico antigo, tema quente na fronteira ciência e fé; rende sessão do Bruno pela discussão de gênero literário de Gênesis 1 a 11, imagem de Deus, morte antes da Queda e inspiração, com pontos exegéticos e teológicos verificáveis contra Collins, Buggs e Swamidass.
O que foi dito
- Ponto de partida literário: Gênesis 1 a 11 (a “história primeva”) pertence a um gênero figurativo e metafórico que não deve ser lido de modo literalista, mas que descreve pessoas que de fato viveram; por isso recorre à ciência para datar Adão e Eva.
- Diz ter tido um choque ao pesquisar: a literatura afirmava com “certeza heliocêntrica” que a humanidade não poderia descender de um único casal, mas ao ler Richard Buggs e Joshua Swamidass descobriu que, se o casal viveu antes de 500 mil anos atrás, a origem numa dupla fundadora é compatível com a genética populacional.
- O que está em jogo teologicamente: Paulo, em Romanos 5, trata Adão como pessoa histórica cujo pecado teve consequências reais fora do texto (contrasta com Hamlet, figura fictícia sem efeitos externos); negar a historicidade forçaria revisar a inspiração e autoridade bíblicas, admitindo erro teológico no NT.
- Sobre a datação: sustenta que neandertais tinham as mesmas capacidades cognitivas dos Homo sapiens e portanto eram humanos, de modo que Adão e Eva, como progenitores de ambos, teriam de anteceder a divisão das linhagens, por volta de 700 a 900 mil anos.
- Cita como “confirmação dramática” posterior ao livro um estudo de geneticistas chineses indicando gargalo populacional (média abaixo de ~1.300 indivíduos) entre 900 e 800 mil anos atrás, compatível, segundo ele, com a população ter descido a duas pessoas nesse intervalo.
- Defende a plena humanidade do Homo heidelbergensis pela capacidade craniana e por sinais arqueológicos (as lanças de madeira de Schöningen, na Alemanha, replicadas por atletas olímpicos com desempenho comparável a dardos modernos); chamar neandertais de “meras feras” seria, para ele, quase uma forma de racismo, e espera vê-los no céu, pois Cristo morreu por todo humano.
- Sustenta que o modelo é consistente com Adão e Eva terem pais hominíneos (Deus infundindo uma alma racional, a imagem de Deus, numa mutação cerebral) e que atividades como agricultura em Gênesis 4 são atribuições anacrônicas do autor, não literais; usa os sentineleses de Andamão para ilustrar o descompasso entre evolução biológica e cultural.
- Conclui que foram criados mortais (a árvore da vida os rejuvenesceria), de modo que a morte do “dia em que comerdes” é espiritual, alienação de Deus, não física; e alerta que ensinar criacionismo de terra jovem às crianças pode “consigná-las à incredulidade” na escola e universidade.